Menu
Cinema

Oscar 2026 quem leva Melhor Filme na corrida mais disputada da temporada

Entre os indicados a Melhor Filme, produções de diferentes estilos e países refletem um ano marcado por narrativas sobre identidade, ambição e memória com destaque para o brasileiro O Agente Secreto

Tamires Rodrigues

12/03/2026 5h00

Atualizada 11/03/2026 22h06

o agente secreto 22

Foto: Victor Jucá/Divulgação

A temporada de premiações chega ao seu momento mais aguardado com a cerimônia do Oscar marcada para este domingo (15). Entre produções grandiosas, obras contemplativas e experiências visuais intensas, os concorrentes a Melhor Filme revelam um cinema disposto a investigar memória, ambição, identidade e pertencimento. No meio desse mosaico de estilos e narrativas, um título ganha um brilho especial para o público brasileiro: O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que transforma o Recife da ditadura em um thriller político sofisticado e coloca o cinema nacional em destaque mais uma na disputa . Confira a seguir os indicados a Melhor Filme desta edição:

O Agente Secreto (Crítica completa)

Ambientado no Recife de 1977, em pleno Carnaval e sob a sombra da Ditadura, o novo filme de Kleber Mendonça Filho transforma a cidade em um personagem central de um thriller político marcado pela paranoia e pela memória. A narrativa acompanha Marcelo, vivido por Wagner Moura, um homem jurado de morte que chega à capital pernambucana tentando escapar de forças invisíveis enquanto a festa popular segue pulsando nas ruas.

O suspense nasce menos da ação direta e mais da atmosfera de vigilância constante, construída por silêncios, olhares atravessados e sons cotidianos que alimentam a tensão. Com ironia e uma estética vibrante, o diretor mistura humor, crítica política e memória histórica para retratar um Brasil em que o medo e a alegria convivem lado a lado.

Opinião
Um thriller político sofisticado, que transforma memória em suspense e faz do Recife um personagem vivo da história. O filme se destaca pela direção precisa e pela atuação contida de Wagner Moura. No fim, a obra usa o passado para refletir sobre um Brasil que ainda carrega ecos daquele período.

Uma batalha após a outra (Crítica completa)

Dirigido por Paul Thomas Anderson e inspirado livremente no universo literário de Thomas Pynchon, o filme mistura sátira política, ação e humor ácido para expor as contradições de um país que insiste em se enxergar como símbolo da democracia. No centro da trama está um ex-revolucionário vivido por Leonardo DiCaprio, um personagem frágil e hesitante que segue lutando mesmo sem saber exatamente contra o quê. Do outro lado, Sean Penn constrói um antagonista ao mesmo tempo cruel e ridículo, representando a face grotesca de um regime autoritário.

Com mais de duas horas e meia de duração, o longa sustenta o ritmo envolvente graças à montagem precisa, à fotografia cuidadosa e à trilha tensa de Jonny Greenwood. A sátira funciona com força ao ridicularizar estruturas de poder, mas perde parte da sutileza quando alguns personagens ligados a minorias surgem de forma idealizada. Ainda assim, o filme permanece provocador ao mostrar que, em um mundo político caótico, a batalha nunca termina.

Opinião
Uma sátira política vibrante e ambiciosa, sustentada por atuações poderosas de Leonardo DiCaprio e Sean Penn. O filme impressiona pelo ritmo e pela ironia afiada, embora tropece em algumas idealizações. Mesmo assim, permanece um cinema provocador, que diverte e incomoda ao mesmo tempo.

Bugonia (Crítica completa)

Em seu novo filme, Yorgos Lanthimos transforma um thriller de sequestro em um confronto psicológico sobre poder, paranoia e moralidade contemporânea. A história gira em torno do embate entre Michelle, uma CEO interpretada por Emma Stone, e Teddy, um apicultor conspiracionista vivido por Jesse Plemons. Presos em uma dinâmica de manipulação e desconfiança, os dois personagens conduzem uma narrativa marcada por diálogos densos, ambiguidades éticas e uma tensão crescente.

À medida que o cativeiro se transforma em arena filosófica, o roteiro embaralha as certezas do espectador e revela personagens movidos por contradições profundas. Lanthimos conduz o confronto como um experimento moral sobre alienação, poder corporativo e colapso social, até chegar a um desfecho irônico e perturbador que redefine tudo o que parecia claro até então.

Opinião
Um dos filmes mais ferozes e inteligentes da carreira de Yorgos Lanthimos. A força da obra está no duelo hipnótico entre Emma Stone e Jesse Plemons e na capacidade do diretor de transformar desconforto em reflexão. Um thriller inquietante que provoca tanto quanto fascina.

F1 (Crítica completa)

Dirigido por Joseph Kosinski, o filme mergulha no universo da Fórmula 1 por meio da história de Sonny Hayes, um piloto veterano interpretado por Brad Pitt, que retorna às pistas décadas após um grave acidente. A narrativa combina ação, nostalgia e drama pessoal enquanto acompanha sua tentativa de redenção em meio a um ambiente competitivo e dominado por tecnologia e espetáculo. Ao lado dele, a diretora técnica vivida por Kerry Condon acrescenta profundidade emocional à trama.

O grande destaque do longa está nas sequências de corrida, filmadas com técnicas imersivas que colocam o espectador dentro do carro. Com a trilha intensa de Hans Zimmer e uma estética que mistura cinema de ação e linguagem de videogame, o filme constrói uma experiência sensorial poderosa, mesmo quando o roteiro segue caminhos narrativos mais previsíveis.

Opinião
Um blockbuster energético que transforma a Fórmula 1 em espetáculo cinematográfico de alta intensidade. Brad Pitt sustenta o filme com carisma e presença, enquanto as cenas de corrida impressionam pela imersão. Mesmo com um roteiro familiar, a experiência visual faz a jornada valer a pena.

Hamnet (Crítica completa)

Dirigido por Chloé Zhao, o filme transforma uma tragédia familiar em uma reflexão sensível sobre memória, luto e criação artística. A narrativa acompanha Agnes, interpretada por Jessie Buckley, e sua relação com o jovem William Shakespeare, vivido por Paul Mescal, antes da consagração do dramaturgo. Quando a morte do filho Hamnet rompe a estabilidade da família, o filme acompanha as diferentes formas com que cada um tenta lidar com a perda.

Com uma abordagem delicada e contemplativa, Zhao constrói a narrativa por meio de silêncios, gestos contidos e imagens que traduzem a dor sem recorrer ao excesso dramático. A fotografia de Łukasz Żal amplia essa dimensão poética, enquanto as performances de Buckley e Mescal revelam personagens atravessados pelo luto, sugerindo que a arte pode surgir como tentativa de dar forma ao indizível.

Opinião
Um drama delicado e profundamente emocional sobre perda e criação artística. Chloé Zhao transforma o luto em poesia visual, conduzida por atuações sensíveis de Jessie Buckley e Paul Mescal. Um filme contemplativo que permanece na memória muito depois do final.

Pecadores (Crítica completa)

Dirigido por Ryan Coogler, o filme mistura terror, realismo mágico e crítica social ao ambientar uma história de vampiros no sul dos Estados Unidos dos anos 1930. A trama acompanha os irmãos Smoke e Stack, interpretados por Michael B. Jordan, que retornam à cidade natal no Mississippi para abrir uma juke-bar e tentar recomeçar a vida. O que começa como um drama de reencontros e memórias logo se transforma em uma narrativa sobrenatural, quando vampiros passam a simbolizar forças históricas de opressão racial e cultural.

Com fotografia marcante de Autumn Durald Arkapaw e forte presença musical, o longa transforma o blues em elemento narrativo e resistência simbólica. Ao misturar horror, cultura afro-americana e espetáculo visual, Coogler constrói um gótico sulista que dialoga com história, identidade e sobrevivência cultural.

Opinião
Um terror ousado que usa o fantástico para discutir memória, racismo e resistência cultural. Ryan Coogler transforma o blues e o folclore vampírico em uma poderosa metáfora histórica. Um filme de gênero que impressiona tanto pela estética quanto pela ambição temática.

Marty Supreme (Crítica completa)

Dirigido por Josh Safdie, o filme usa o universo do tênis de mesa como ponto de partida para um retrato intenso sobre ambição, ego e obsessão. No centro da narrativa está Marty Mauser, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem atleta cuja confiança desmedida o empurra para uma trajetória marcada por competitividade constante e desgaste emocional. A câmera acompanha seu percurso de forma frenética, transformando o esporte em metáfora para um mundo movido por impulso, risco e desejo de grandeza.

Com uma estética claustrofóbica e ritmo acelerado, o longa explora o mito do talento individual em um contexto de ascensão social e oportunismo. A trilha anacrônica e os personagens marginais reforçam a sensação de caos que envolve o protagonista, enquanto a narrativa revela que o maior conflito não está nas partidas, mas na incapacidade de Marty de lidar com limites, fracassos e amadurecimento.

Opinião
Um filme esportivo que se transforma em estudo febril sobre ego e obsessão. Timothée Chalamet sustenta a narrativa com uma atuação intensa e física. É um cinema provocador e exaustivo, que aposta no desconforto para revelar a fragilidade por trás da ambição.

Valor Sentimental (Crítica completa)

Dirigido por Joachim Trier, o filme transforma um reencontro familiar em uma reflexão delicada sobre memória, arte e relações mal resolvidas. A história acompanha Nora Borg, interpretada por Renate Reinsve, que volta à antiga casa da família após a morte da mãe e reencontra o pai ausente, um cineasta vivido por Stellan Skarsgård. Quando ele propõe que Nora protagonize um filme inspirado na própria história deles, o conflito entre vida pessoal e criação artística se intensifica.

Entre humor, constrangimento e emoção, Trier explora como artistas recriam o passado para lidar com culpa, afeto e arrependimentos. A presença de uma atriz americana interpretada por Elle Fanning amplia o jogo entre realidade e ficção, enquanto a casa da família funciona como espaço simbólico onde memórias, tensões e tentativas de reconciliação se encontram.

Opinião
Um drama sensível e inteligente sobre família, memória e criação artística. Joachim Trier equilibra humor e melancolia para revelar personagens cheios de contradições. Um cinema íntimo e humano que encontra grandeza nas pequenas emoções. 

Frankenstein

Dirigido por Guillermo del Toro e inspirado no romance de Mary Shelley, o filme revisita o mito clássico com uma estética gótica marcada por atmosfera sombria e sensibilidade emocional. A história acompanha o cientista Victor Frankenstein, interpretado por Oscar Isaac, cuja obsessão em desafiar a morte resulta na criação de uma criatura rejeitada pelo mundo. Mais do que um conto de terror, o longa explora temas como culpa, responsabilidade e solidão.

Visualmente grandioso, o filme aposta em cenários carregados de textura e em uma fotografia melancólica que reforça o tom trágico da narrativa. A Criatura ganha destaque na interpretação de Jacob Elordi, que constrói um personagem vulnerável e inquietante. Embora a trama siga caminhos conhecidos da história original, o olhar de Del Toro privilegia a empatia pelo monstro e a dimensão humana por trás da lenda.

Opinião
Uma adaptação visualmente deslumbrante que reforça a paixão de Guillermo del Toro pelos monstros e pelo gótico. O filme encontra sua força no olhar humano lançado sobre a Criatura. Mesmo sem reinventar o clássico, entrega beleza melancólica e um monstro memorável.

Sonhos de Trem

Dirigido por Clint Bentley e inspirado no livro de Denis Johnson, o filme acompanha cerca de oito décadas da vida de Robert Grainier, interpretado por Joel Edgerton. Ao atravessar o final do século XIX até os anos 1960, a narrativa observa as transformações dos Estados Unidos em meio à expansão das ferrovias e às mudanças sociais, sempre a partir do olhar silencioso de um homem comum.

Com ritmo contemplativo e estrutura fragmentada, o longa transforma memórias, encontros e perdas em uma reflexão sobre o fluxo da vida. A relação com Gladys, vivida por Felicity Jones, marca o centro emocional da história, enquanto a fotografia de Adolpho Veloso valoriza paisagens naturais que reforçam a dimensão poética e espiritual da jornada.

Opinião
Um drama contemplativo que transforma a vida de um homem comum em reflexão universal sobre tempo e memória. A atuação contida de Joel Edgerton sustenta a delicadeza da narrativa. Um filme silencioso e poético que encontra grandeza na simplicidade.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado