O cinema brasileiro voltou a ganhar destaque internacional neste fim de semana com “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura. O longa conquistou os prêmios de Melhor Filme em Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama no Globo de Ouro e já foi assistido por mais de 1,2 milhão de pessoas nos cinemas brasileiros, segundo dados da ABRAPLEX — Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex.
Em cartaz em todo o país desde 6 de novembro, o filme deve ampliar sua presença nas salas após as recentes premiações. Para a entidade, o desempenho do longa evidencia a importância do cinema como primeira janela de exibição e reafirma o potencial do audiovisual nacional no mercado interno e internacional.
“Estamos falando de um filme concebido para a experiência da sala de cinema, com um orçamento significativo e uma estrutura de coprodução internacional. É um exemplo claro de como o tempo de exibição nos cinemas, aliado a parcerias com outros países, pode levar a cinematografia brasileira a públicos cada vez maiores, dentro e fora do Brasil”, afirma Tiago Mafra, diretor da ABRAPLEX.
O setor audiovisual emprega mais de 600 mil pessoas no Brasil, sendo 121,8 mil em postos diretos. A exibição cinematográfica ocupa papel central nesse ecossistema, responsável por 27,3 mil empregos diretos. Diante desse cenário, a associação destaca que o momento vai além da celebração das conquistas artísticas e culturais, chamando atenção para a necessidade de regulamentar o período de exclusividade dos filmes nas salas antes da chegada ao streaming — etapa considerada fundamental para a sustentabilidade financeira da cadeia.
“É essencial pensar em políticas de fomento que não priorizem apenas o volume de produções, mas também o desempenho comercial dos filmes. A produção nacional é vital para o equilíbrio entre produção, distribuição e exibição. Incentivar conteúdos com potencial de público, por meio de leis de incentivo, recursos do FSA, investimentos estrangeiros e da iniciativa privada, é indispensável”, conclui Mafra.
A ABRAPLEX também reforça a importância de políticas públicas voltadas à manutenção e expansão do parque exibidor brasileiro. Levar salas de cinema a mais cidades amplia o acesso à cultura e cria um ciclo positivo: quanto maior a capilaridade da exibição, maior o potencial de bilheteria para filmes nacionais e internacionais, fortalecendo toda a cadeia produtiva e consolidando o Brasil como um mercado estratégico para o audiovisual global.