SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
“O Agente Secreto” não levou o Bafta de melhor filme em língua não inglesa, neste domingo (22). O prêmio é o mais importante do cinema britânico e laureou o candidato da Noruega, “Valor Sentimental”, drama familiar dirigido por Joachim Trier.
Concorriam também “Sirât”, da Espanha, “Foi Apenas um Acidente”, filme iraniano que representa a França, e “A Voz de Hind Rajab”, da Tunísia.
Com isso, o Brasil deixa essa edição da premiação sem nenhum troféu. Mendonça Filho concorria ainda ao Bafta de melhor roteiro original, mas perdeu para Ryan Coogler, pelo trabalho em “Pecadores”.
O paulistano Adolpho Veloso, que venceu vários prêmios da temporada pela fotografia de “Sonhos de Trem”, também ficou sem o troféu, que foi para Michael Bauman, de “Uma Batalha Após a Outra”.
E Petra Costa, que concorria com o documentário “Apocalipse nos Trópicos”, perdeu para os tchecos Pavel Talankin e David Borenstein, de “Mr. Nobody Against Putin”.
QUEM VOTA NO BAFTA?
No principal prêmio britânico, os vencedores são escolhidos por membros da Academia Britânica de Cinema e Televisão, que reúne cerca de 10 mil pessoas da indústria do audiovisual e dos games a maioria é do Reino Unido, mas também há membros internacionais. Deste total, cerca de 8.300 votam no prêmio de cinema.
Para participar, os membros precisam passar por alguns critérios, como ter pelo menos cinco anos de experiência na área, além de pagar uma taxa anual.
Entenda como funciona a votação das premiações, do Globo de Ouro até o Oscar
Os votantes são divididos por áreas, como atuação e direção, e cada categoria tem sua lista inicial definida por diferentes votantes. Para eleger os vencedores, todos votam no seu favorito.
BAFTA É TERMÔMETRO DO OSCAR?
O prêmio já antecipou resultados do Oscar, mas raramente as escolhas coincidem, pois apenas uma parte pequena dos votantes também é membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Nos últimos dez anos, por exemplo, apenas dois filmes levaram tanto os prêmios principais do Oscar e do Bafta ”Oppenheimer”, em 2024, e “Nomadland”, em 2021. No ano passado, “Conclave”, por exemplo, venceu o Bafta, enquanto o Oscar de melhor filme acabou indo para “Anora”.
No caso de filme internacional, “Emilia Pérez” venceu de “Ainda Estou Aqui” no ano passado, no Bafta, em meio às polêmicas envolvendo a atriz espanhola Karla Sofía Gascón, que prejudicaram a campanha da produção francesa e impulsionaram a vitória do primeiro Oscar do Brasil na categoria.
Antes, em 1999, “Central do Brasil” levou o Bafta da categoria, mas não teve o mesmo sucesso no Oscar, perdendo para “A Vida É Bela”. Walter Salles repetiu a vitória na categoria com “Diários de Motocicleta”, em 2004, um ano após “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, ter levado o Bafta de melhor edição, pelo trabalho de Daniel Rezende.
Outras indicações incluíram os filmes “Abril Despedaçado”, também de Salles, em 2002, e “Trash – A Esperança Vem do Lixo”, em 2015. “Orfeu Negro”, produção francesa de Marcel Camus toda ambientada no Brasil, também disputou a melhor filme, na edição de 1961, mas perdeu para “Se Meu Apartamento Falasse”, de Billy Wilder.