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Cinema

‘Nunca entendi atores que tentam perder o sotaque’, diz Wagner Moura a revista americana

Wagner falou que se sente representante dos imigrantes brasileiros que vivem nos EUA e disse não entender quem se esforça para perder o sotaque

Redação Jornal de Brasília

02/01/2026 19h54

ANAHI MARTINHO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Sete atores que estão na corrida pelo seu primeiro Oscar estamparam a capa da edição da The Hollywood Reporter de janeiro -entre eles, Wagner Moura.

O brasileiro posou ao lado de Adam Sandler, Dwayne Johnson, Michael B. Jordan, Jacob Elordi, Mark Hammil e Jeremy Allen White. Os sete têm algo em comum: todos fizeram papéis de destaque no cinema em 2025 e estão, pela primeira vez na vida, cotados a receber uma indicação ao prêmio da Academia.

Na mesa redonda promovida pela revista, Wagner falou que se sente representante dos imigrantes brasileiros que vivem nos EUA e disse não entender quem se esforça para perder o sotaque.

“Nunca tive esse sonho de vir até aqui e ‘tentar Hollywood'”, falou. “O que me faz diferente e talvez especial para os filmes é o fato de que não sou daqui. Nunca entendi atores que tentam perder seus sotaques. Sou um ator brasileiro e represento uma quantidade enorme de pessoas que moram aqui neste país [EUA] e falam com sotaque.”

“No início, me perguntavam se eu conseguiria interpretar um personagem com sotaque padrão americano. Eu respondia que não. Primeiro, porque eu não consigo [risos], mas também porque eu acho isso meio errado. Sou um ator brasileiro”, completou.

Ainda na entrevista, ele falou sobre sua relação com Kleber Mendonça Filho, que conheceu em Cannes, quando o diretor ainda era jornalista e crítico de cinema.

“Eu estava em Cannes lançando ‘Cidade Baixa’ e ele estava lá como crítico. Nos conhecemos e nos demos bem. Quando voltei para o Brasil, vi que ele estava dirigindo curtas e eram muito bons. Em 2012, assisti ‘O Som ao Redor’ e pensei ‘esse é um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos. Tenho que trabalhar com esse cara'”, contou Wagner.

“Mas isso demorou. O que realmente nos juntou, na verdade, foi a política”, continuou o ator. “O Brasil passou por um momento muito ruim entre 2018 e 2022 e quem fosse abertamente contra isso sofria consequências. Nós dois sofremos. Meu filme ‘Marighella’ estreou no festival de Berlim em 2019, mas foi censurado no Brasil. Kleber também passou por isso. Nos unimos e pensamos em como reagir. E aí saiu ‘O Agente Secreto’, que se passa nos anos 1970 mas conversa com a história recente do Brasil”, completou.

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