VITOR MORENO
FOLHAPRESS
Aos 44 anos, Natalie Portman pode escolher com bastante critério os projetos aos quais deseja emprestar seu nome. Com uma carreira que começou aos 12 -e já com grande destaque em “O Profissional” (1994)-, ela se dividiu entre filmes que lhe deram prestígio (e um Oscar), como “Cisne Negro” (2010), e outros que lhe renderam estabilidade financeira, como os do Universo Cinematográfico da Marvel.
Mesmo que não lhe faltem convites, não foi o que ocorreu com “Arco”, que estreia na quinta-feira (26) nos cinemas brasileiros. Natalie ficou tão encantada com a história e com os traços do francês Ugo Bienvenu que pediu na hora para fazer parte do projeto.
“Conheci o Ugo por meio de um amigo mútuo que estava trabalhando com ele em algo mais comercial e mencionou que ele estava preparando seu primeiro filme”, diz a atriz à reportagem. “Perguntamos se podíamos assistir ao que tinham até então e vimos 40 minutos do esboço.”
Foi o suficiente para ela ser arrebatada pelo universo criado por Bienvenu em parceria com o coroteirista Félix de Givry. “De cara, ficou óbvio o quão linda era a arte, o quão única era a visão deles e a urgência da história que tinham para contar”, afirma Natalie. “Pedi para fazer parte imediatamente.”
Era o impulso que o filme precisava. Natalie entrou com a produtora MountainA, que mantém em sociedade com Sophie Mas, e fez o filme ganhar atenção desde a estreia mundial, que ocorreu no Festival de Cannes de 2025. Depois, venceu o Festival de Annecy, vitrine importante para animações, e entrou no circuito de Hollywood, com indicação ao Globo de Ouro e vitória no Annie Awards.
No próximo dia 15, “Arco” chega como azarão ao Oscar, diante de campeões de bilheteria como “Zootopia 2” e de popularidade como “Guerreiras do K-pop”. Mas, caso ganhe, Natalie subirá ao palco ao lado de Bienvenu como produtora do filme.
Mas, afinal, do que trata a animação? Na trama, o menino Arco, de 10 anos, vive com a família no ano de 2932. Ele morre de inveja da irmã, que pode viajar no tempo, assim como fazem seus pais, já que isso só é permitido a maiores de 12 anos.
Uma noite, sem ninguém ver, Arco pega a roupa de voo da irmã, que é a responsável por fazê-la se transportar entre diversas eras, e sai tentando encontrar dinossauros, pelos quais é fascinado. Sem nenhum treinamento para aquilo, ele acaba indo parar no ano de 2075, onde fica preso.
Lá, ele conhece a pequena e solitária Iris, de quem fica amigo. Juntos, os dois vivem diversas aventuras tentando escapar de um trio de irmãos conspiracionistas, da polícia e dos perigos que as mudanças climáticas provocaram na Terra (de chuvas torrenciais e incêndios massivos). Enquanto isso, tentam encontrar um jeito de fazer Arco voltar para casa.
Bienvenu diz que a ideia do filme surgiu há cerca de sete anos. “Sentia que estávamos vivendo em um filme de ficção científica muito ruim”, explica à reportagem. “Pensei que talvez os escritores de ficção científica fossem responsáveis, de certa forma, pela maneira como vivemos agora, e que talvez fosse a nossa vez de imaginar coisas melhores para que elas pudessem acontecer.”
Por isso, ele conta que quis fugir do padrão da ficção científica distópica, em que todos estão lidando com as consequências de alguma catástrofe. “O ser humano tem a tendência de imaginar sempre o pior, pois para dramatizar e contar histórias o ‘ruim’ costuma ser mais prático”, avalia.
“Mas eu queria trazer luz para o mundo, não sombras ou escuridão”, continua. “Queria dar um abraço na humanidade e pavimentar o caminho para nossos filhos, contando com a imaginação, sentimentos e compartilhamento, em vez de apenas números.”
Sobre a identidade visual do filme, que tem traços retrô e uma explosão de cores, ele conta que apenas seguiu o que já vinha fazendo em trabalhos anteriores. “Sou ilustrador há mais de 15 anos e desenho quadrinhos há cerca de 13 anos”, lembra. “Não busquei um estilo especial para este filme; esse é o meu estilo.”
Bienvenu diz que, em seu processo criativo, história e imagem caminharam juntos. “Minha escrita é muito relacionada ao meu traço, comenta. Eu fazia o storyboard e escrevia ao mesmo tempo, de modo que as imagens influenciavam a escrita e a escrita influenciava os storyboards.s. No meu trabalho, tudo sempre caminha junto.”
“ARCO”
Quando Estreia: 26/2 nos cinemas
Classificação: 10 anos
Produção: Ugo Bienvenu, Natalie Portman, Sophie Mas e Félix de Givry
Direção: Ugo Bienvenu