Menu
Cinema

Luiz Carlos Barreto é velado no Rio

Produtor, fotógrafo e cineasta foi velado no Rio após morrer em decorrência de uma infecção pulmonar. Barretão deixa trajetória ligada ao Cinema Novo e à consolidação do audiovisual nacional.

Redação Jornal de Brasília

23/07/2026 18h10

rbr0350 (1)

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O cinema brasileiro se despediu nesta quinta-feira (23) de Luiz Carlos Barreto, o Barretão, velado no Palácio da Cidade, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro. Ele morreu na quarta-feira (22), aos 98 anos, após internação no Hospital Copa Star, em Copacabana, para tratar uma infecção pulmonar decorrente de pneumonia.

Nascido em Sobral, no Ceará, e radicado no Rio de Janeiro, Barreto foi fotógrafo, jornalista, cineasta e produtor, com trajetória associada à construção do Cinema Novo e à consolidação da indústria cinematográfica brasileira. Ao longo de mais de seis décadas, participou de mais de uma centena de produções e ajudou a projetar o cinema nacional dentro e fora do país.

Ao lado da esposa, Lucy Barreto, com quem era casado desde 1954, fundou a LC Barreto, produtora que se tornou uma referência do audiovisual brasileiro. A empresa assinou filmes como “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, “Bye Bye Brasil”, “Memórias do Cárcere”, “O Quatrilho” e “O Que É Isso, Companheiro?”. Os dois últimos foram indicados ao Oscar de Melhor Filme Internacional.

A história da família se confunde com a do próprio cinema brasileiro. Os três filhos do casal, Bruno Barreto, Fábio Barreto e Paula Barreto, seguiram carreira no audiovisual, em uma trajetória marcada também pela instalação de uma das primeiras moviolas do país dentro de casa. Foi ali que foram montados filmes fundamentais do Cinema Novo, entre eles “Vidas Secas”, de Nelson Pereira dos Santos, e “Os Fuzis”, de Ruy Guerra.

Antes de se tornar um dos principais produtores do país, Barreto trabalhou como fotojornalista da revista O Cruzeiro, onde atuou como repórter fotográfico e correspondente na Europa. Também cobriu acontecimentos históricos e fotografou personalidades como Frank Sinatra, Fidel Castro e Marilyn Monroe. Como diretor de fotografia, ajudou a construir a identidade visual de “Vidas Secas” (1963) e “Terra em Transe” (1967).

Durante o velório, familiares, amigos, cineastas e representantes da cultura brasileira destacaram o papel de Barretão na defesa do cinema nacional. A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, afirmou que ele foi um grande pensador e articulador de um projeto de Brasil atravessado pela cultura. O diretor do Canal Brasil, André Saddy, e o produtor Marco Altberg lembraram que um dos sonhos de Barreto se concretizou com a criação do canal dedicado exclusivamente ao audiovisual nacional.

Também em homenagem ao cineasta, o Ministério da Cultura destacou sua atuação como um dos mais importantes nomes da história do cinema brasileiro e ressaltou sua contribuição para a projeção internacional do setor. Ao final da cerimônia, o sentimento entre os presentes era de despedida, mas também de reconhecimento por uma trajetória que ajudou a moldar a identidade do cinema brasileiro.

Com informações da Agência Brasil

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado