FOLHAPRESS
A revista The Hollywood Reporter afirmou, em artigo publicado nesta segunda-feira (2), que o sucesso de “O Agente Secreto” despertou uma revolução do cinema brasileiro, reposicionando o país no centro do debate internacional.
Segundo a reportagem, o filme reacende uma tradição cultural que havia sido enfraquecida por cortes de verbas e turbulências políticas nos últimos anos.
A publicação reúne declarações de entrevistas feitas com Wagner Moura, Kleber Mendonça Filho, Adolpho Veloso, além de produtores e distribuidores do cinema brasileiro.
Além disso, destaca que a participação dos filmes nacionais nas bilheterias mais do que triplicou em relação a 2023, sinalizando uma retomada consistente. “Ainda estamos muito longe de onde deveríamos estar”, adverte Mendonça Filho.
Para cineastas e produtores, o momento é resultado da recomposição de políticas públicas de fomento descritas por Moura como parte de um “direito constitucional” à cultura e da reconexão com o público brasileiro, que voltou a ocupar as salas para ver histórias locais e nacionais.
O cenário, no entanto, não está livre de tensões. Artistas relatam críticas de setores conservadores ao financiamento estatal, enquanto o mercado ainda lida com a predominância de produções estrangeiras nas grandes redes. “O mercado para algo que construímos ao longo de 20 anos foi fechado em quatro [anos] e estamos nos recuperando”, diz Rodrigo Teixeira, produtor brasileiro indicado ao Oscar por “Ainda Estou Aqui”.
Mesmo assim, o sucesso recente tem alterado a percepção de exibidores e investidores, abrindo espaço para novos cineastas e ampliando a presença do Brasil no circuito internacional. Veloso diz que espera “que o que aconteceu no ano passado com “Ainda Estou Aqui”, e o que está acontecendo este ano com “Agente Secreto” e tantos outros filmes brasileiros, possa ser semelhante a como, um dia, “Cidade de Deus” foi importante para mim como inspiração”, disse. “Eu pensei: Ok, se os brasileiros e pessoas como eu estão ocupando esses espaços, talvez eu também possa”.