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Cinema

Filme de Janaína Marques é selecionado para o Festival de Berlim 2026

Produzido pelas cearenses Delírio Filmes e Moçambique Audiovisual, longa integra a mostra Forum e propõe uma travessia sensorial guiada pela imaginação como forma de cura

Aline Teixeira

20/01/2026 18h33

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Foto: Divulgação

O cinema brasileiro marca presença em um dos mais importantes festivais do mundo. Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, primeiro longa-metragem da cineasta Janaína Marques, foi selecionado para o Festival de Berlim 2026, integrando a seção Forum, tradicionalmente associada à liberdade estética e à experimentação formal.

Produzido pelas cearenses Delírio Filmes e Moçambique Audiovisual, o filme se constrói como um road movie do inconsciente — uma travessia sensorial conduzida pela imaginação como estratégia de sobrevivência e cura. A seleção representa um marco para a equipe. Para a diretora, ter a première mundial no Forum da Berlinale já equivale a um prêmio. “É onde estrearam filmes de alguns dos meus cineastas favoritos, como Aki Kaurismäki e Tsai Ming-Liang. Eu sinto que é o lugar onde o filme deveria estar”, afirma.

A narrativa acompanha Rosa, interpretada por Verônica Cavalcanti, uma mulher convocada a revisitar sua própria história quando já não consegue mais se reconhecer nela. Incapaz de acessar uma lembrança feliz, ela mergulha em uma busca interior que se transforma na própria estrutura do filme. Entre o real e o imaginado, a realidade começa a ceder espaço ao sonho, ao delírio e à memória. Nesse percurso, Rosa reencontra a mãe, Dalva (vivida por Luciana Souza), e a transforma em parceira de estrada em uma jornada íntima de reconciliação.

Nascida em Brasília e criada no Ceará, Janaína Marques define o filme como um gesto de sobrevivência. “Eu acho que é um filme sobre a vontade de viver”, diz. Para ela, a dificuldade da personagem em acessar lembranças felizes faz da imaginação um território de resistência. A diretora também aponta o corpo feminino como espaço atravessado por imposições e silenciamentos, onde o delírio surge como mecanismo de autopreservação. “O nosso próprio corpo, como forma de sobrevivência, acaba buscando certos delírios”, reflete.

Ao levar a mãe consigo na viagem, o longa afirma uma dimensão de sororidade e memória compartilhada. Para o produtor Maurício Macêdo, a seleção na Berlinale tem peso estratégico. Além de impulsionar a carreira internacional do filme, antecede o lançamento comercial já confirmado no Brasil, previsto para outubro de 2026, com patrocínio do BNDES.

A estreia internacional inaugura um novo capítulo na trajetória da obra. A jornada de Rosa e Dalva, nascida de uma busca íntima e atravessada por paisagens de sonho e invenção, agora se prepara para alcançar outros territórios e dialogar com públicos diversos. Entre memória inventada e desejo de viver, o filme segue adiante como um gesto de reinvenção, afirmando a imaginação não como fuga, mas como possibilidade de permanência no mundo.

Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha é uma produção da Moçambique Audiovisual e da Delírio Filmes, com patrocínio do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, com recursos da Lei Aldir Blanc, e do BNDES. O longa conta ainda com apoio do Instituto Mirante de Arte e Cultura, do Instituto Dragão do Mar, do Projeto Paradiso, do Show Me The Fund, da Embaixada do Brasil em Berlim e do Instituto Guimarães Rosa. As vendas internacionais são realizadas pela Patra Spanou Film, e a distribuição nacional é da Moçambique Audiovisual.

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