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Cinema

Festival de Brasília do Cinema Brasileiro vive momento de incerteza após corte de verba

Secec diz que não vai se manifestar por enquanto e marca nova reunião com organizadores e a governadora para quarta-feira

Tamires Rodrigues

10/08/2026 18h52

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Troféu Candango, do Festival de Cinema de Brasília Troféu Candango, do Festival de Cinema de Brasília – Foto: Divulgação

Depois de 58 edições realizadas, interrompidas apenas durante a ditadura militar, entre 1972 e 1974, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro não vai realizar sua 59ª edição neste ano. A mostra, uma das mais antigas do país, existe desde 1965 e estava marcada para começar em 11 de setembro, mas o Governo do Distrito Federal informou nesta segunda-feira (10) que não vai repassar os R$ 3 milhões necessários para viabilizar o evento.

Em entrevista ao Jornal de Brasília, o diretor-geral de produção do festival, Henrique Rocha, contou que recebeu a notícia pessoalmente, em reunião na própria secretaria, e destacou o caráter inédito da situação: segundo ele, nunca antes, no período democrático, o evento havia sido cancelado dessa forma. Rocha lembrou que a produção da edição de 2026 começou ainda em março, com apoio direto do governo, quando as inscrições foram abertas e o festival foi lançado nacionalmente. “É inacreditável”, resumiu.

O corte se soma a um pacote mais amplo de contenção de despesas do governo distrital, motivado pela tentativa de socorrer o BRB (Banco de Brasília). A instituição está em crise financeira desde que seu nome foi associado ao escândalo do banco Master e hoje negocia com o governo federal um empréstimo bilionário, próximo de R$ 6,6 bilhões, para equilibrar as contas.

Os primeiros indícios do problema já apareciam desde junho, quando a primeira parcela do repasse público, de R$ 1,5 milhão, deixou de ser paga. Esse valor cobriria a fase de pré-produção. As parcelas seguintes, que somavam outro R$ 1,5 milhão, seriam liberadas em duas etapas: R$ 1 milhão durante a semana do festival e R$ 500 mil após o encerramento.

Cortes atingem também o principal patrocinador do evento

O BRB é o maior patrocinador do festival, mas o modelo do contrato de patrocínio, de R$ 750 mil, prevê reembolso apenas depois da realização da mostra, o que não resolve o problema de caixa da produção agora. O banco afirma que o valor segue confirmado, mas o pagamento só ocorreria mediante comprovação de despesas já realizadas.

A crise não é inédita para o espaço: sede de um dos últimos cinemas de rua ainda ativos no Brasil, dentro do conjunto arquitetônico assinado por Oscar Niemeyer, o equipamento cultural já havia ficado três meses sem repasses do governo local em situação anterior, posteriormente regularizada. Desta vez, porém, apesar de reuniões entre a produção e técnicos da secretaria nas últimas semanas, nenhuma solução foi encontrada.

A governadora Celina Leão (PP) já havia adiantado, na sexta-feira (7), que a área de eventos sofreria cortes relevantes, priorizando despesas como saúde, limpeza urbana e transporte público. Sem confirmar diretamente o cancelamento do festival, ela defendeu a decisão comparando-a a uma escolha doméstica: não faria sentido manter gastos com festas ou eventos culturais sem garantir recursos para necessidades básicas da população.

O contrato que previa o financiamento do festival pelo GDF foi firmado em 2024, com o Instituto Alvorada Brasil, para garantir três edições consecutivas do evento. Até o anúncio desta segunda, a secretaria negava qualquer decisão de cancelamento ou adiamento.

Secec descarta nota por enquanto e marca nova reunião

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do DF informou que não deve se manifestar oficialmente por enquanto. Segundo a pasta, está prevista para quarta-feira (12) uma nova reunião entre a Secec, os organizadores do festival e a governadora Celina Leão, o que pode abrir uma possibilidade de reversão do cancelamento. O Jornal de Brasília vai acompanhar os desdobramentos e atualizar esta matéria assim que houver novidades.

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