SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A jornalista Plum Sykes, que foi uma das editoras da revista Vogue americana, está sendo criticada por contratar estagiários não remunerados em seu novo projeto pessoal, apesar de cobrar pelo acesso à sua newsletter.
Sykes é tida como a principal inspiração para a personagem de Emily Blunt em “O Diabo Veste Prada”.
Apesar disso, em um texto desta semana, a escritora questionou essa informação, dizendo que ela não é a única base para Emily Charlton, a assistente de Miranda Priestly -inspirada na editora-chefe da revista, Anna Wintour.
Segundo relatos do jornal The Guardian, Sykes lançou uma página na plataforma Substack, onde reúne mais de 20 mil seguidores -parte deles pagando cerca de 65 libras esterlinas, ou cerca de R$ 438, pelo acesso. Ainda assim, estudantes que colaboram com tarefas como o gerenciamneto de redes sociais, produção de conteúdo e apoio editorial não estão sendo remunerados.
A prática gerou reação de profissionais da área. A jornalista Pandora Sykes, que não é parente da editora, afirmou que “não há espaço em 2026 para não pagar colaboradores”, destacando que estágios não remunerados tendem a prejudicar jovens de famílias de baixa renda.
Plum Sykes rebateu, dizendo que os estudantes atuam em regime de “vivência profissional”, com tarefas pontuais e sem carga horária fixa, e que a atividade serviria como experiência acadêmica. Ela disse esperar que a situação possa mudar no futuro.
Especialistas ouvidos pelo The Guardian, no entanto, lembram que a legislação trabalhista do Reino Unido prevê pagamento quando há trabalho produtivo, e que o uso de estagiários não remunerados já foi alvo de críticas e ações judiciais no setor de mídia e moda.
“O Diabo Veste Prada”, comédia de sucesso com Anne Hathaway e Meryl Streep, está novamente em alta graças à continuação que chega aos cinemas em 30 de abril. Duas décadas após o lançamento do filme original, o longa vai revisitar os corredores da revista Runway e o competitivo ambiente da moda em Nova York. A história vai acompanhar Priestly diante da crise da mídia impressa.