Menu
Cinema

Cinema latino-americano debate democracia no Prêmio Platino

Produções brasileiras e paraguaia competem na premiação abordando autoritarismo e memória política na região.

Redação Jornal de Brasília

03/05/2026 10h45

captura de tela 2025 07 05 as 10.41.44 800x445

© Busca Vida Filmes/Divulgação

O cinema da América Latina continua sendo um espaço essencial para discutir democracia, memória política e os legados do autoritarismo, refletindo as tensões persistentes na região, conforme especialistas em regimes ditatoriais e cinema consultados pela Agência Brasil.

Pelo menos três produções que tratam desses temas concorrem ao Prêmio Platino, a principal premiação do cinema ibero-americano, cujos vencedores serão anunciados em 9 de maio, no México. Entre os concorrentes estão os longas-metragens brasileiros ‘O Agente Secreto’, dirigido por Kleber Mendonça Filho, que disputa como melhor filme do ano, e o documentário ‘Apocalipse nos Trópicos’, de Petra Costa. Além deles, o documentário paraguaio ‘Sob as bandeiras, o Sol’, de Juanjo Pereira, aborda a memória da ditadura militar naquele país.

‘O Agente Secreto’ explora o apoio empresarial ao regime militar, a perseguição política e o apagamento da memória sobre a ditadura no Brasil. Já ‘Apocalipse nos Trópicos’ retrata a influência da religião evangélica nos rumos da política brasileira. O filme paraguaio recupera imagens raras para documentar a ditadura de Alfredo Stroessner, regime corrupto e brutal que prendeu e torturou mais de 20 mil pessoas, com apoio do Brasil em articulações como a Operação Condor.

Paulo Renato da Silva, professor de História da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e pesquisador da ditadura no Paraguai, destacou que os países latino-americanos enfrentam populações privadas de direitos básicos, como saúde, alimentação e moradia, o que gera insatisfações. Para ele, é na democracia que essas demandas podem ser atendidas, e não em regimes autoritários, que favorecem grupos políticos e econômicos específicos e cerceiam liberdades, como a de expressão.

A professora de cinema da Universidade Federal Fluminense (UFF), Marina Tedesco, estudiosa da cinematografia latino-americana, afirmou que a fragilidade democrática na região é uma pauta não resolvida. Ela observou que ainda há presidentes e atores políticos defendendo o regime militar ou minimizando suas violações de direitos e casos de corrupção. Tedesco mencionou que Stroessner foi reverenciado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ela, o cinema sempre tratou da democracia, inicialmente de forma clandestina e no exílio, por perseguidos políticos, e governos autoritários continuam atacando essa forma de expressão.

Em 2025, o filme ‘Ainda Estou Aqui’, que retrata a ditadura brasileira pela perspectiva da família do ex-deputado Rubens Paiva, foi o grande vencedor do Prêmio Platino.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado