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Cinema

Cine Brasília celebra Agnès Varda com mostra que percorre seis décadas de cinema

Retrospectiva reúne 20 filmes entre longas e curtas e propõe um mergulho no olhar singular de uma das vozes mais importantes da história do cinema

Tamires Rodrigues

23/03/2026 5h00

Atualizada 20/03/2026 21h06

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Agnès Varda. — Foto: Divulgação

No mês das mulheres, o Cine Brasília abre espaço para um encontro direto com a obra de uma das cineastas mais influentes do cinema moderno. A mostra De Lá Pra Cá: Uma Mostra da Varda, começa nesta segunda (23) e segue até o dia 31, reunindo 20 títulos que atravessam mais de seis décadas de produção de Agnès Varda, entre longas e curtas que evidenciam a diversidade estética e temática de sua filmografia. A programação propõe não apenas uma retrospectiva, mas uma experiência de aproximação com um cinema que sempre transitou entre o documental, o ficcional e o ensaístico.

A iniciativa chega a Brasília a partir de uma parceria com o Grupo Estação, responsável pela curadoria da mostra. Segundo Rafaella Rezende, gerente de programação do Cine Brasília, a decisão de trazer a retrospectiva para a capital partiu do reconhecimento da relevância histórica da diretora e da potência de sua obra no debate contemporâneo. “A mostra chegou até nós com a seleção de títulos já definida, e optamos por realizá-la ao longo do mês de março justamente pelo significado que Agnès Varda tem como uma das grandes cineastas da história do cinema”, explica ao Jornal de Brasília.

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Cena do filme “Cléo das 5 às 7”. — Foto: Divulgação

Agnès Varda nasceu na Bélgica, em 1928, e construiu sua trajetória artística na França, onde iniciou sua relação com o cinema em um contexto ainda pouco aberto à presença feminina na direção. Seu primeiro longa, La Pointe Courte (1955), já indicava caminhos estéticos e narrativos que mais tarde seriam associados à Nouvelle Vague, movimento do qual se tornaria uma das figuras centrais e a única mulher entre seus principais nomes.

Ao longo da carreira, a diretora também desenvolveu uma forte relação com o documentário, linguagem que ampliou seu diálogo com o mundo e com as histórias do cotidiano. Obras como Os Catadores e Eu, As Praias de Agnès e Varda por Agnès, concluído pouco antes de sua morte, em 29 de março 2019, revelam uma cineasta interessada em memória, identidade e nos gestos mais simples da vida. Ao lado de uma trajetória marcada pela defesa do cinema independente e da criação livre, Varda recebeu, em 2017, um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra.

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Cena do filme “As Criaturas”. — Foto: Divulgação

Considerada um dos nomes centrais da Nouvelle Vague, Varda construiu uma trajetória marcada por liberdade formal e por um olhar atento às transformações sociais, sobretudo no que diz respeito à representação feminina. Seus filmes frequentemente colocam mulheres no centro da narrativa, com autonomia e complexidade, ao mesmo tempo em que exploram o cotidiano, a memória e a própria linguagem cinematográfica. “A obra da Varda dialoga diretamente com esse debate porque ela construiu, desde o início, um cinema a partir de um olhar próprio, fora dos padrões dominantes”, afirma Rafaella.

A seleção apresentada no Cine Brasília evidencia esse caráter múltiplo. Clássicos como Cléo das 5 às 7 convivem com obras de caráter mais experimental, como os ensaios documentais que marcam diferentes fases da carreira da diretora. O percurso também inclui títulos que transitam entre ficção e realidade, como Os Catadores e Eu, além de produções em que a própria cineasta se coloca em cena, caso de As Praias de Agnès. Para a equipe do cinema, a organização da programação ao longo dos dias buscou justamente destacar essa pluralidade. “Pensamos a exibição como um percurso em que o público possa transitar entre diferentes formas de cinema, do mais clássico ao mais livre”, detalha.

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Cena do filme ” Jacquot de Nantes”. — Foto: Divulgação

Além de apresentar uma filmografia fundamental, a mostra reforça o papel do Cine Brasília como espaço de formação de público e difusão cultural. Como sala pública, o local mantém uma política de preços acessíveis e uma curadoria comprometida com a diversidade, o que amplia o alcance de obras que nem sempre chegam ao circuito comercial. “Isso permite que um público mais amplo tenha acesso não só aos lançamentos, mas também a retrospectivas e cinematografias que muitas vezes não circulam. Formar público passa por garantir esse acesso e também pela qualidade das exibições”, destaca Rafaella.

Para quem deseja iniciar o contato com a obra de Varda, alguns títulos funcionam como portas de entrada. Cléo das 5 às 7 se destaca pela construção narrativa em tempo real e pela força da personagem, enquanto As Praias de Agnès oferece um mergulho afetivo na trajetória da diretora. Já Os Catadores e Eu revela uma cineasta profundamente conectada ao presente, atenta às histórias invisíveis e aos gestos cotidianos. Juntos, esses filmes sintetizam a amplitude de uma obra que segue inspirando novas gerações.

PROGRAMAÇÃO DA MOSTRA DE LÁ PRA CÁ: UMA MOSTRA DA VARDA

SEGUNDA-FEIRA, 23/03
18h50 — Mur Murs
20h30 — Panteras Negras (curta-metragem) + Os Regenerados

TERÇA-FEIRA, 24/03
18h10 — Jane B. por Agnès V.
20h20 — Ao Longo da Costa (curta-metragem) + Daguerreótipos

QUINTA-FEIRA, 26/03
17h00 — Kung-Fu Master!

SEXTA-FEIRA, 27/03
15h30 — Uma Canta, a Outra Não
18h10 — La Pointe Courte

SÁBADO, 28/03
20h00 —  As Praias de Agnès

DOMINGO, 29/03
18h00 — Tio Yanco (curta-metragem) + Os Catadores e Eu
20h00 — A Ópera Mouffe (curta-metragem) + Cléo das 5 às 7

SEGUNDA-FEIRA, 30/03
16h00 — As Cento e Uma Noites
18h10 — Jacquot de Nantes
20h30 — Saudações, Cubanos! (curta-metragem) + As Criaturas

TERÇA-FEIRA, 31/03
16h30 — Ulisses (curta-metragem) + Documentira

SERVIÇO
O quê:
“De Lá Pra Cá: Uma Mostra da Varda”
Onde: Cine Brasília – Asa Sul Entrequadra Sul 106/107 – Brasília, DF, 70345-400
Quando: 23 a 31 de março
Ingressos à venda na bilheteria ou pelo link: ingresso.com/cinema/cine-brasilia
Valores: R$20 (inteira) R$10 (meia)
Mais informações: cinebrasilia.com ou @cinebrasiliaoficial

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