No Centro de Ensino Fundamental (CEF) 10 do Gama, o cinema saiu da tela e virou experiência dentro da escola. Há dez anos, o projeto Cine 10 transforma alunos do 9º ano em protagonistas de suas próprias histórias, envolvendo os estudantes em todas as etapas da produção de curtas-metragens, da atuação à edição, em uma vivência que termina com uma noite de exibição e premiação digna de gala.
Em 2026, o Cine 10 vai completar 10 anos, e o Jornal de Brasília foi até a escola conhecer um pouco mais desse projeto. O professor Wellington Araújo, chamado carinhosamente de Tom pelos alunos e pelos colegas, é um dos que está à frente da iniciativa. “No primeiro ano desse projeto, lá em 2016, a professora Nayara Yasmelli, que era a professora que dava aula de PD 2, uma parte diversificada de conteúdo, ela estava em conversa com o vice-diretor, batendo um papo sobre o cinema. Ela decidiu que iria fazer um projeto de cinema nessa escola. A partir daí, ela me chamou e chamou o Allan também para poder ajudar”, contou.

Allan Domingos é atualmente o vice-diretor do CEF 10. Ele também coloca o Cine 10 para andar junto com Tom e os alunos. “A gente ampliou isso para todas as turmas do 9° ano e acabou virando um festival em que os alunos criam o roteiro, criam a história, gravam, editam e lançam o curta-metragem – um filme de mais ou menos 5 minutos. E aí, no final, a gente avalia e faz a noite de gala, que é a noite de premiação de melhor ator, melhor roteirista, melhor atriz, melhor filme. Nisso a gente vai chegando na nossa décima edição esse ano”, comentou Allan.
O Cine 10 é voltado para os estudantes que estão finalizando o Ensino Fundamental. Eles são estimulados a colocar a criatividade em prática e fazem parte de todo o processo de produção de um curta-metragem, do roteiro à edição do filme. Depois, participam da “Noite de Gala”, uma cerimônia para premiar todo o esforço dos alunos. As produções ficam no YouTube, no canal Cine 10, para todos que quiserem assistir.
“O interesse vem porque nós temos um dia específico de premiação. Um grupo de estudantes sai da escola, no período da noite mesmo, e eles vão todos arrumados, com roupa diferenciada, como se fosse uma grande cerimônia mesmo. Só disso eles já querem participar. Tem também o fato deles estarem usando os aparelhos da escola para poder sair da sala e gravar, fazer uma coisa totalmente diferente”, explicou Tom.
Expectativa para mais um ano
O professor destacou que os trabalhos estão a todo o vapor para mais uma edição do Cine 10. As turmas já começaram a trabalhar nos roteiros dos filmes. Para o estudante William Nakatani, de 14 anos de idade, a expectativa é muito boa. “É um projeto muito bom para a escola. Traz vários ensinamentos, traz aquele incentivo para a criatividade. Assim a gente pode fazer o nosso filme para várias pessoas poderem ver, inclusive nossa família, o que é muito divertido. Você pode até mesmo se profissionalizar nesse ramo, como ator ou atriz”, disse.

Allan relatou que embora não seja possível dar continuidade ao projeto pelo fato de os alunos estarem no 9° ano, o impacto do projeto é enorme na vida de alguns estudantes. “A gente já teve retorno de alunos que participaram aqui do projeto, de que isso foi um start inicial para eles começarem a mexer com audiovisual. ‘Eu estou trabalhando agora com edição de vídeo, estou trabalhando agora gravando vídeos e comecei lá no Cine 10’. Então isso deixa a gente muito feliz”, disse.
O jovem William também encara o projeto como uma grande oportunidade, ainda que o audiovisual não seja a primeira opção dele. “Mesmo eu querendo ser policial militar, eu acho que para carreira assim é muito importante você ter esses ensinamentos no ensino fundamental”, completou o estudante.