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Cinema

Cheiro de Diesel estreia nos cinemas e revisita marcas da militarização nas favelas do Rio

Documentário premiado no Festival do Rio, o longa denuncia violações de direitos humanos durante ocupações militares em favelas e chega aos cinemas no dia 2, em semana marcada pela memória do golpe de 1964

Aline Teixeira

01/04/2026 15h14

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Foto: Divulgação

No mês em que o Brasil relembra os 62 anos do Golpe Militar de 1964, o documentário Cheiro de Diesel chega aos cinemas com uma proposta contundente: revisitar traumas recentes provocados pela presença das Forças Armadas em favelas do Rio de Janeiro. Vencedor de dois prêmios no Festival do Rio — incluindo o Prêmio Especial do Júri e o de Melhor Documentário pelo Voto Popular —, o longa estreia no circuito comercial no dia 2 de abril, com distribuição da Descoloniza Filmes.

A escolha da data carrega um peso simbólico: além do aniversário do golpe que instaurou a ditadura no país, marca também os 12 anos da ocupação militar da Favela da Maré, iniciada em abril de 2014 sob a justificativa de “pacificação”. O filme conecta esses dois momentos históricos ao evidenciar continuidades nas práticas de violência e controle estatal.

Dirigido por Natasha Neri e Gizele Martins, o documentário reúne relatos de moradores de regiões como Maré e Penha, na zona norte do Rio, além do Morro do Salgueiro, em São Gonçalo. Os depoimentos expõem o cotidiano de medo durante as operações realizadas sob decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), com presença ostensiva de soldados, tanques e armamento pesado.

As ocupações retratadas ocorreram entre 2014 e 2015, durante os preparativos para a Copa do Mundo, e voltaram a se repetir entre 2017 e 2018. Ao longo do filme, moradores denunciam violações de direitos humanos, incluindo abordagens violentas, censura a comunicadores comunitários e episódios de tortura — como o relato de uma “sala vermelha” em um quartel do Exército.

Além de codiretora, Gizele Martins também conduz parte das entrevistas. Moradora da Maré e integrante da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado, ela acompanhou de perto os impactos das ocupações. “Vivemos invasões em escolas, postos de saúde e casas, revistas constantes e assassinatos. A Maré foi um laboratório para o que se expandiu pelo Rio durante os anos seguintes”, afirma.

Cheiro de Diesel é uma produção da Amana Cine e da Baracoa Filmes, com coprodução do Canal Brasil e apoio da RioFilme. O longa acompanha ainda a mobilização dos moradores por justiça e reparação coletiva, reforçando o protagonismo das vozes que viveram diretamente essas experiências.

Sinopse
O documentário retrata os impactos da militarização em favelas do Rio de Janeiro durante os megaeventos esportivos. A partir de relatos de moradores, o filme evidencia as consequências das ocupações militares e a busca por justiça diante das violações de direitos humanos.

Sobre as diretoras
Natasha Neri é jornalista e cineasta, com trajetória marcada por produções voltadas à justiça criminal e direitos humanos, como o premiado Auto de Resistência. Já Gizele Martins, nascida e criada na Favela da Maré, é jornalista, doutora em Comunicação e defensora de direitos humanos, além de autora do livro “Militarização e Censura – A luta por liberdade de expressão na Favela da Maré”. Cheiro de Diesel marca sua estreia na direção cinematográfica.

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