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Cinema

Almodóvar e seu ‘Natal Amargo’ entram em cena em Cannes

Novo filme do diretor espanhol acompanha um cineasta em crise criativa e integra seleção marcada por produções sobre guerra, dramas familiares e superproduções asiáticas

Redação Jornal de Brasília

19/05/2026 15h15

Foto: VALERIE MACON/AFP

Foto: VALERIE MACON/AFP

O diretor espanhol Pedro Almodóvar apresentou, nesta terça-feira (19), “Natal Amargo”, a história de um cineasta preso em uma crise criativa, com a qual ele concorre pela sétima vez à Palma de Ouro em Cannes.

O novo filme do diretor, que já estreou na Espanha, conta a história de Raúl Durán, um famoso cineasta que ficou sem ideias. Suas preocupações terminam quando começa a escrever uma obra inspirada nas inconstâncias de uma pessoa muito próxima.

No tapete vermelho antes da exibição, vestido com um terno preto, camisa e gravata amarelas e seus característicos óculos escuros, o cineasta cumprimentou o público e distribuiu autógrafos. Ele estava acompanhado por alguns membros do elenco, incluindo Bárbara Lennie, Leonardo Sbaraglia, Victoria Luengo e Aitana Sánchez-Gijón.

O autor de “Tudo sobre Minha Mãe” e “Volver” é presença assídua no festival francês, onde já competiu em seis ocasiões. E embora tenha sido laureado algumas vezes por sua direção ou roteiro, nunca levou o prêmio principal.

Nesta edição, compete com outros nomes habituais do festival, como o japonês Hirokazu Kore-eda e o romeno Cristian Mungiu, ambos com uma Palma de Ouro no currículo.

O espanhol, conhecido pelos seus filmes de imagem cuidada e cheios de cor, é um defensor da força dos seus intérpretes na história.

“Entre todas as opções narrativas que te são oferecidas em um filme através da imagem, eu escolho sempre o ator”, afirmou em abril o diretor que já trabalhou com Carmen Maura, Penélope Cruz, Antonio Banderas, Victoria Abril, Javier Bardem e mais recentemente com Tilda Swinton e Julianne Moore.

“O ator é quem leva a mensagem. São os olhos dos atores que são vistos, o rosto dos atores, os corpos dos atores”, disse.

Em “Natal Amargo”, o argentino Leonardo Sbaraglia encarna o alter ego de Almodóvar. “Sinto-o sempre como se fosse um Dalí, um Picasso que está tecendo, pintando, construindo cores, construindo mundos”, disse Sbaraglia sobre Almodóvar em entrevista à AFP.

– Contexto bélico –

Nesta terça-feira, também foi exibido “Minotaur”, do cineasta russo exilado Andrey Zvyagintsev, seu primeiro filme em nove anos, após ter quase morrido durante a pandemia de covid.

O filme narra o impacto da guerra nas classes mais abastadas da Rússia após o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022. Por meio de uma família rica, mostra o declínio moral da sociedade e a corrupção desenfreada.

Inspirado em “A Mulher Infiel” (1969), de Claude Chabrol, Zvyagintsev acrescentou à história o contexto bélico de seu país.

“É impossível rodar um conto de fadas ou uma história melodramática sem o contexto social, político etc. Foi assim que a guerra entrou em nosso filme”, disse o cineasta à AFP.

– Superprodução da Coreia do Sul –

Mais da metade dos 22 filmes que disputam a Palma de Ouro já foi exibida em Cannes. Embora vários tenham recebido elogios da crítica, nenhum conseguiu ainda despertar um entusiasmo unânime.

Entre os mais bem recebidos está “Fatherland”, do diretor polonês Paweł Pawlikowski, centrado no retorno do escritor Thomas Mann à Alemanha em 1949, em um país marcado pela desnazificação e dividido entre dois blocos ideológicos.

Também se destacou o espanhol “El Ser Querido”, de Rodrigo Sorogoyen e estrelado por Javier Bardem, que brilhou em seu papel de cineasta atormentado que busca se reconectar com a filha atriz propondo a ela um papel em seu novo filme.

Segundo a influente revista Variety, “o filme em alguns momentos remete à relação central de ‘Valor Sentimental’, embora aqui a produção ocupe um lugar muito mais lúdico e protagonista”.

Mas a obra que sem dúvida sacudiu o festival foi a superprodução sul-coreana “Hope”, exibida no domingo.

Considerado o filme mais caro da história da Coreia do Sul, o longa apresenta, ao longo de 2 horas e 40 minutos, uma perseguição vertiginosa entre humanos e criaturas misteriosas, encadeando cenas de ação espetaculares.

AFP

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