Eleito um dos dez principais filmes do ano pela Cahiers du Cinéma, O Riso e a Faca, dirigido por Pedro Pinho, vem acumulando reconhecimento internacional desde sua estreia na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes, em 2025. Na ocasião, a atriz Cleo Diára conquistou o prêmio de Melhor Atriz.
A produção, uma coprodução entre Portugal, Brasil, França e Romênia, também foi premiada no Festival Internacional de Cinema de Cartagena, onde recebeu o troféu de Melhor Contribuição Artística na competição ibero-americana. Inspirado na canção homônima de Tom Zé, o longa foi filmado entre o deserto da Mauritânia e a Guiné-Bissau.
Na trama, acompanhamos Sérgio, um engenheiro português enviado por uma ONG a uma cidade da África Ocidental para avaliar os impactos ambientais da construção de uma estrada. No local, ele se envolve com dois moradores, Diára e Gui, formando um trio atravessado por afetos, tensões e desequilíbrios de poder. O elenco reúne Sergio Coragem, Cleo Diára e Jonathan Guilherme.
Com estreia nos cinemas brasileiros em 30 de abril, a produção chega ao circuito distribuída pela Vitrine Filmes, em parceria com a RioFilme.
A recepção crítica tem sido entusiasmada. O colunista Ronaldo Lemos classificou o longa como o melhor de 2025, destacando sua capacidade de criar um universo próprio ao longo de mais de três horas. Já o jornal Le Monde o descreveu como “um dos mais belos filmes de Cannes”, enquanto o site IndieWire o definiu como “um feito gigantesco que atravessa continentes”.
Ao figurar na lista dos melhores do ano da Cahiers du Cinéma, o filme reforça seu impacto ao propor uma leitura contemporânea das relações entre Europa e África. A narrativa investiga as zonas cinzentas do chamado “fazer o bem”, questionando estruturas de poder e expondo dinâmicas associadas ao neocolonialismo.
Para Pedro Pinho, a obra nasce da reflexão sobre “a relação entre o poder e os corpos dos ‘outros’”, explorando o contraste entre os espaços da comunidade expatriada e a realidade local. Nesse cenário, o encontro entre Europa e África se mistura a disputas simbólicas e afetivas, atravessadas por questões de identidade, desejo e pertencimento.
Sinopse
Sérgio viaja para uma metrópole da África Ocidental para trabalhar como engenheiro ambiental em uma ONG responsável pela construção de uma estrada. Ali, desenvolve uma relação íntima e instável com Diára e Gui. À medida que se envolve nas complexas dinâmicas neocoloniais da região, esse vínculo se torna seu último refúgio diante da solidão e das tensões ao redor.
Direção | Pedro Pinho
Roteiro | Pedro Pinho, com colaboração de Miguel Seabra Lopes, José Filipe Costa, Luísa Homem, Marta Lança, Miguel Carmo, Tiago Hespanha, Leonor Noivo, Luis Miguel Correia e Paul Choquet
Produção | Filipa Reis, Tiago Hespanha, Tatiana Leite, Juliette Lepoutre, Pierre Menahem, Ioana Lascăr e Radu Stancu
Direção de Produção | Eduardo Nasser
Fotografia | Ivo Lopes Araújo
Montagem | Rita M. Pestana, Karen Akerman, Cláudia Oliveira e Pedro Pinho
Direção de Arte e Figurino | Camille Lemonnier, Livia Lattanzio e Ana Meleiro
Maquiagem e Cabelo | Ami Camará
Som | Jules Valeur
Edição de Som | Pablo Lamar
Produção | Uma Pedra no Sapato e Terratreme (Portugal), Bubbles Project (Brasil), Still Moving (França), De Film (Romênia)
Produção Associada | Rodrigo Letier (Kromaki Filmes), Geba Filmes e Maison des Cinéastes
Ano e Países de Produção | Portugal / Brasil / Romênia / França, 2025
Duração | 212 min
Distribuição no Brasil | Vitrine Filmes