Lúcio Flávio
Especial para o Jornal de Brasília
Em 2013, o CCBB Brasília viveu um verdadeiro frenesi com a mostra Alfred Hitchcock, que presenteou os cinéfilos da cidade com mais de 50 títulos do mestre do suspense. O curioso é que o evento, também realizado no Rio e São Paulo, provou que, décadas depois, um dos maiores nomes do cinema ainda era capaz de despertar interesse das pessoas. E o mais curioso, atingindo um público cuja faixa etária denunciava uma garotada que nem tinha nascido quando os filmes do cineasta eram sucessos.
Com o retorno positivo da mostra, a onda retrô parece ter tomado de assalto as modernas salas de cinema do Espaço Itaú em todo o País. Isso porque, desde dezembro de 2013, o complexo vem brindando o público com a exibição de cópias digitalizadas de grandes clássicos da sétima arte. E adivinha qual foi o primeiro filme a estrear dentro do projeto realizado em parceria com a distribuidora Espaço Filmes? Um Corpo que Cai, de Hitchcock.
Interesse
“Fizemos uma pesquisa entre o nosso público e descobrimos que pessoas de várias faixas tinham interesse de ver esses filmes no cinema”, conta Adhemar Oliveira, sócio-diretor da Espaço Filmes e diretor de programação dos Circuitos Itaú Cinemas e Cinespaço. “Hoje em dia, com o processo digital, os custos ficaram baixos, o que facilitou esse tipo de trabalho”, observa.
Nesse primeiro lote, cinco filmes clássicos e cult estarão à disposição do público nos cinemas do Espaço Itau. O título em cartaz é o terror de suspense, Fome de Viver, estiloso cult movie inglês de Tony Scott (irmão de Riddle Scott), com Catherine Deneuve e o camaleão do rock David Bowie no elenco.
A expectativa do diretor de programação Adhemar Oliveira é que a ideia se solidifique e ganhe força a cada filme “novo” que entrar em cartaz. Segundo ele, nada é capaz de tirar do bom cinéfilo o prazer da tela grande. “Não sei se tem a ver com nostalgia”, comenta.
Público
E se depender do verdadeiro fã de cinema, nem mesmo a oportunidade de ver um filme clássico no conforto do lar em DVD ou Blu-ray, será empecilho para sair de casa. Algumas pessoas se animaram tanto que até fazem lista. “Se eles passarem Blade Runner eu venho!”, brinca o advogado Marçal Assis Brasil, 55 anos. “Claro que são filmes fáceis de encontrar por aí, mas é legal ver no cinema até pelo charme”, emenda.
Estudante de Letras da UnB, Arthur Gonçalves, 19, elogiou a iniciativa. “É bacana porque é uma programação diferente. Mas por ser uma atração alternativa, os ingressos poderiam ser mais baratos”, lamenta.