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Cinema: Nostalgia em cartaz

Arquivo Geral

04/02/2014 8h00

Lúcio Flávio

Especial para o Jornal de Brasília

Em 2013, o CCBB Brasília viveu um verdadeiro frenesi com a mostra Alfred Hitchcock, que presenteou os cinéfilos da cidade com mais de 50 títulos do mestre do suspense. O curioso é que o evento, também realizado no Rio e São Paulo, provou que, décadas depois, um dos maiores nomes do cinema ainda era capaz de despertar interesse das pessoas. E o mais curioso, atingindo um público cuja faixa etária denunciava uma garotada que nem tinha nascido quando os filmes do cineasta eram sucessos. 

Com o retorno positivo da mostra, a onda retrô parece ter tomado de assalto as modernas salas de cinema do Espaço Itaú em todo o País. Isso porque, desde dezembro de 2013, o complexo vem brindando o público com a exibição de cópias digitalizadas de grandes clássicos da sétima arte. E adivinha qual foi o primeiro filme a estrear dentro do projeto realizado em parceria com a distribuidora Espaço Filmes? Um Corpo que Cai, de Hitchcock. 

Interesse

“Fizemos uma pesquisa entre o nosso público e descobrimos que pessoas de várias faixas tinham interesse de ver esses filmes no cinema”, conta Adhemar Oliveira, sócio-diretor da Espaço Filmes e diretor de programação dos Circuitos Itaú Cinemas e Cinespaço. “Hoje em dia, com o processo digital, os custos ficaram baixos, o que facilitou esse tipo de trabalho”, observa.

Nesse primeiro lote, cinco filmes clássicos e cult estarão à disposição do público nos cinemas do Espaço Itau. O título em cartaz é o terror de suspense, Fome de Viver, estiloso cult movie inglês de Tony Scott (irmão de Riddle Scott), com Catherine Deneuve e o camaleão do rock David Bowie no elenco. 

A expectativa do diretor de programação Adhemar Oliveira é que a ideia se solidifique e ganhe força a cada filme “novo” que entrar em cartaz. Segundo ele, nada é capaz de tirar do bom cinéfilo o prazer da tela grande. “Não sei se tem a ver com nostalgia”, comenta. 

Público

E se depender do verdadeiro fã de cinema, nem mesmo a oportunidade de ver um filme clássico no conforto do lar em DVD ou Blu-ray, será empecilho para sair de casa. Algumas pessoas se animaram tanto que até fazem lista. “Se eles passarem Blade Runner eu venho!”, brinca o advogado Marçal Assis Brasil, 55 anos. “Claro que são filmes fáceis de encontrar por aí, mas é legal ver no cinema até pelo charme”, emenda. 

Estudante de Letras da UnB, Arthur Gonçalves, 19, elogiou a iniciativa. “É bacana porque é uma programação diferente. Mas por ser uma atração alternativa, os ingressos poderiam ser mais baratos”, lamenta. 

Em breve

O Pequeno Fugitivo (1953) –  A cereja do bolo do projeto. O filme independente norte-americano dirigido pelo trio Ray Ashley, Morris Engel e Ruth Orkin, fez a cabeça da turma do prestigiado Cahiers du Cinéma. Acredita-se que a produção seja inédita nos cinemas brasileiros.
 
A Marca da Maldade (1958) –  Para muitos, o melhor filme de Orson Welles. Esse noir sórdido mostra a queda de braço entre um chefe de polícia mexicano (Charlton Heston) e um xerife corrupto norte-americano (Orson Welles). Reza a lenda que Charlton Heston só topou trabalhar no projeto porque havia entendido que Orson Welles só iria atuar e dirigir. Só que, na verdade, ele iria apenas atuar. Para agradar o futuro astro de Ben-Hur, os produtores deram a direção para Orson Welles.
 
Os Pássaros (1963) –  Baseada em obra de Daphne Du Maurier, de que Hitchcock já havia adaptado, o filme talvez seja um dos títulos do mestre do suspense que mais se aproxima do gênero terror.
 
O Sentido da Vida (1983) –  Terceiro filme dos cultuados comediantes ingleses Monty Phyton, a fita gira em torno da questão levantada pela trupe no título. Na trama, um olhar irônico com relação aos vícios e problemas da humanidade.

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