Menu
Viva

Cinema brasiliense: Os heróis anônimos

Arquivo Geral

02/03/2014 8h00

“Me lembro do coronel saindo da sala e dizendo: ‘Gente, é um terremoto. O negócio é sério’”. No relato comovente, a sargento Lucimar não esconde o olhar triste de quem viu e vivenciou de perto o terremoto que matou mais de 200 mil pessoas, em janeiro de 2010, no Haiti. Depoimentos como esse, aliados a imagens marcantes, deram vida ao documentário Missão de Paz, do diretor Ruyter Curvello Duarte, que deve estrear em Brasília no segundo semestre de 2014.
 
Filho de pai militar, o diretor gaúcho residente em Brasília usou da emoção de quem acompanhou a tragédia de perto para criar o roteiro do longa-metragem. “Meu pai foi cerimonialista durante a chegada dos corpos das 22 vítimas brasileiras ao País. Acompanhei a dor das famílias e resolvi realizar um filme que ressaltasse de fato quem são nossos verdadeiros heróis”, conta Curvello.
 
No filme, o cineasta realizou 12 entrevistas com brasileiros que tiveram papel ativo na tragédia. Dentre eles, o fotógrafo Alan Marques; comandantes do Corpo de Bombeiro brasileiro; e a paraquedista e sargento Lucimar. “É um documentário totalmente realista e fiel aos fatos. Procuramos mostrar um ato de solidariedade e retratar isso para nossos jovens. Para que eles vejam que existem heróis anônimos que merecem nosso reconhecimento no Brasil”, diz o diretor.
 
De acordo com o produtor executivo, Rafael Camargo, a produção independente teve êxito graças à contribuição do Exército Brasileiro e das Organizações das Nações Unidas (ONU). “Conseguimos imagens exclusivas da hora em que o terremoto aconteceu”, ressalta Camargo, satisfeito com o resultado.
 
Além de mostrar o terror do terremoto e o pavor das vítimas, o documentário retrata também as condições precárias do Haiti, e o sofrimento da nação para se reerguer. O editor e diretor de fotografia, Moisés de Almeida, conta a emoção ao editar cada cena. “O olhar e o relato de quem contribuiu no resgate é emocionante. Há histórias muito tristes, como a de um tenente que conta como perdeu o amigo. Mas também há narrativas felizes, como o de uma mãe que não acreditava que o filho, dado como morto, estivesse vivo”.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado