Raquel Martins Ribeiro
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Quem pensa que o Cine Brasília (106/107 Sul) só é atrativo durante o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro está muito enganado. Durante todo o ano, mostras exclusivas, além de uma lista de filmes diversificada, mantêm o espaço vivo. É o que garante o cineasta Sérgio Moriconi, responsável por selecionar os títulos que compõem a programação do cinema. “Aqui, as pessoas encontram desde lançamentos do cinema comercial até filmes estrangeiros que não passam em nenhum outro lugar”, explica.
Na próxima semana, os admiradores de sétima arte vão poder conferir a mostra Novo Cinema Dominicano. O festival inclui 11 filmes, entre ficções e documentários de curtas e longas-metragens, produzidos a partir de 2014 no país caribenho.
De acordo com Moriconi, a seleção das mostras segue critérios rigorosos para manter a atratividade do público. “Sobretudo observamos a qualidade. Buscamos muitos filmes independentes e premiados em festivais ao redor do mundo”, conta o curador.
Sérgio aponta ainda a bem-sucedida parceria entre o cinema e embaixadas de diversos países para a realização de mostras que estão por vir. Uma delas é a mostra de documentários norte-americanos e festivais do novo cinema europeu e do cinema polonês.
Outras iniciativas também transformam o cinema em um diferencial para os cinéfilos brasilienses. Em fevereiro, durante a exibição do clássico alemão Fausto, o pianista Martin Münch executou a trilha sonora ao vivo, acompanhando a peça. “Onde mais nós poderíamos assistir a dois espetáculos pelo preço de um?”, brinca o servidor público Tomás Costa, de 63 anos, frequentador assíduo.
O casal de estudantes Andressa Liz, 19 anos, e Ângelo Palhano, 22, também frequenta o espaço. Ângelo gosta do Cine Brasília porque lá pode assistir aos filmes antigos de que tanto gosta. Já Andressa diz que adora o clima dos festivais e a imersão em cada temática apresentada na telona. “Venho mais quando há mostra. Eles escolhem um tema, como a mostra de animes, por exemplo, ou um determinado país, e você consegue fazer um mergulho cultural”.
Público jovem aprova a atual programação
Acompanhada dos amigos, a estudante Gabriela Martins ressalta o caráter democrático das sessões. “E não é só pelo preço, ele é bem localizado e dá para vir de carro, metrô ou ônibus. Sem contar que vem gente de todas as idades. Isso é muito legal”, elogia a jovem de 19 anos. Ela afirma que a ida ao cinema é uma experiência enriquecedora, e pretende se programar para conseguir frequentar ainda mais o local.
Gabriela levou os amigos Valquíria Dias, 19, Leo Nunes, 19, e Letícia Alves, 20, para conhecer o espaço pela primeira vez. “Não tenho medo de convidar meus amigos, pois sei que é um programa que todos vão gostar”, acredita. Durante a entrevista, o grupo de estudantes aguardava para assistir à Ovelha Negra, drama islandês premiado no Festival de Cannes 2015.
Até o fim do ano, o público poderá acompanhar várias atrações no Cine Brasília. Entre elas, a quinta edição do Brazilian International Film Festival (Biff), que em 2015 premiou o alemão Labirinto de Mentiras, de Giulio Ricciarelli; o Curta Brasília; e, claro, a 49ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
“Ainda não tive a chance de ir ao Festival de Brasília – mesmo sabendo de sua importância e tradição –, mas este ano faço questão. Tenho certeza que valerá a pena”, finaliza Gabriela.
