Menu
Viva

Chitãozinho e Xororó: Músicas e histórias

Arquivo Geral

05/02/2014 8h00

Lúcio Flávio

Especial para o Jornal de Brasília

Em entrevista ao Jornal de Brasília, realizada antes do primeiro show do ano que fez na última sexta-feira, na casa noturna Villa Mix, a dupla Chitãozinho e Xororó lembrou do tempo em que cantava em circo. Os rouxinóis da música brasileira falaram do preconceito que existia com as canções sertanejas e também da época de dívidas, que fez com que eles pensassem em dar um tempo na carreira musical. Na ocasião, a ideia era vender um Fusca de estimação, quitar os débitos e seguir a vida numa boa. Mas uma música do roqueiro Raul Seixas fez com que os dois mudassem de ideia. Era a baladona alto astral Tente Outra Vez.

Já teve alguma pergunta nesses mais de 30 anos de carreira que ainda não fizeram para vocês?

Chitãozinho – (Risos) Não sei, sempre deve ter uma pergunta nunca feita. Acho que a nossa ligação com as pessoas tem sido aberta e dinâmica, então não dá para ser muito diferente com todo mundo.

Seus pais eram cantores. Essa vocação meio que estava no sangue? Quando vocês perceberam, de fato, que  cantar poderia ser um futuro?

Chitãozinho – Foi quando a gente pôde mostrar uma música que nossos pais tinham feito. Nós fizemos isso cantando e foi uma surpresa quando ele percebeu que a gente tinha o dom de cantar. A gente tinha sete ou oito anos de idade, então ele descobriu isso muito cedo e incentivou a gente desenvolver nossa carreira.

De onde veio o nome da dupla? 

Chitãozinho – Foi por causa da música do Athos Campos e Serrinha (que fazia dupla com Caboclinho). 

Assim como Milionário e José Rico, vocês se apresentavam em circo no início da carreira. Como essa experiência ajudou a moldar o que é a dupla hoje? 

Chitãozinho – Eram palcos pequenos, muito próximos do público e a gente sobreviveu, sei lá, uns seis ou sete anos nos circo. Foi uma experiência agradável e ajudou muito na carreira. Quando o nosso sucesso chegou, a gente já estava preparado a subir no palco e fazer um show bom.

Xororó – Os circos eram os palcos da música sertaneja na época porque, até então, as festas de peões e exposições não tinham hábitos de levar esse tipo de show. E como todos os artistas do gênero, na época a gente começou nossa carreira nos circos. Depois do nosso sucesso com a música 60 Dias Apaixonados, que a gente começou a tocar muito nas rádios e festas de rodeios. Assim foi feita nossa transição dos circos para os palcos.

Lá atrás, no começo, vocês quase desistiram de seguir carreira. É verdade que, por causa de uma música do Raul Seixas, vocês mudaram de ideia, ou seja, foram motivados a seguir em frente? 

Chitãozinho – Em 1976, por aí, a gente estava numa fase difícil porque nós somos os mais velhos da família e estávamos sustentando a casa. Passamos por um período de muitas dívidas. Não ganhávamos dinheiro, então pensamos em vender o carro e parar de cantar por uns tempos. Aí a gente ouviu essa música (Tente Outra Vez – Raul Seixas) e realmente ela deu uma força na hora que a gente mais precisava.

Vocês venderam o Fusca, mas depois resgataram o carro…

Xororó – Não chegamos a vender. Pensamos assim: Vamos vender o carro e fazer o que depois? Vamos tentar mais um pouco. Conseguimos um empréstimo. Eeu uma segurada nas dívidas e nós tentamos. Demorou mais dois anos ainda para fazermos sucesso com 60 Dias Apaixonados. 

Vocês são tidos como a dupla que finalmente levou a música sertaneja para a FM. Se não fosse por isso, dificilmente duplas como Zezé Di Camargo & Luciano e Chitãozinho & Xororó tivessem surgido. Havia muito preconceito com relação à duplas sertanejas na época? 

Chitãozinho – A música sertaneja só tocava na AM de noite e de madrugada. Durante o dia também não tocava. Não sei se era imposição da mídia, mas aos poucos o gênero foi tomando espaço e o povo começou a pedir bastante.

Xororó – As pessoas tinham vergonha de falar que gostavam de música sertaneja. Chamavam de música caipira, principalmente as de poder aquisitivo maior, que mandavam o motorista comprar os discos. Aos poucos, fomos conseguindo espaço na mídia. A televisão começou a nos convidar, se tornando uma coisa mais normal, mais tranquila para a pessoas, mas demorou bastante tempo ainda para o pessoal assumir que gostava de música sertaneja.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado