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Chega Mais Bsb é a comunidade feminina que transforma Brasília em ponto de encontro

Criado pela médica Ana Luiza Silva Teles, o projeto reúne mulheres de várias idades em experiências criativas, afetivas e culturais

Tamires Rodrigues

02/01/2026 5h00

Atualizada 01/01/2026 10h08

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Ana Luiza Silva Teles ao centro com as participantes do Chega Mais Bsb. — Foto: Arquivo pessoal

Brasília pode até ter fama de cidade distante, reta e silenciosa, mas há uma outra capital surgindo em encontros, cafés, oficinas e conversas sem pressa. Essa Brasília pulsante ganhou um novo capítulo quando a médica Ana Luiza Silva Teles, 25, decidiu que queria viver mais experiências culturais e criativas no cotidiano. O movimento começou como curiosidade pessoal e virou algo muito maior. Em pouco tempo, nasceu o Chega Mais Bsb, comunidade formada apenas por mulheres e que hoje reúne mais de 1.200 participantes em torno de troca, convivência e acolhimento.

Foi quando passou a explorar aulas de pintura, aquarela, oratória e até bateria que Ana percebeu como a cidade estava cheia de possibilidades. Ao compartilhar essas vivências nas redes, começou a receber mensagens de mulheres que tinham o mesmo desejo, mas não tinham companhia. Ela conta que percebeu ali uma demanda afetiva e social. “Muitas falavam que queriam fazer os mesmos rolês, só que não tinham com quem ir. Eu entendi que o problema não era falta de opções culturais, e sim falta de comunidade”, comenta em entrevista ao Jornal de Brasília.

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Foto: Arquivo pessoal

O Chega Mais nasceu como resposta a essa lacuna. A proposta sempre foi simples e profunda ao mesmo tempo, criar um espaço onde mulheres pudessem chegar inteiras e se sentir bem-vindas. “Para mim, pertencimento é saber que existe um lugar ao qual você pode voltar, independentemente do que esteja vivendo. É ter com quem dividir dias bons e dias difíceis.” Aos poucos, a cidade foi mudando de textura. O que antes parecia frio passou a ter rostos, histórias e vínculos.

A pluralidade das participantes é um dos pilares do grupo. Ali convivem adolescentes de 16 anos e mulheres acima de 60, recém-chegadas à capital e brasilienses de nascença, tímidas e expansivas, mães, profissionais, estudantes, mulheres com ansiedade, mulheres com deficiência e mulheres em fase de recomeço. Ana lembra que muitas chegam com receio. “Tem gente que manda mensagem perguntando se a idade atrapalha, se vai se encaixar. Eu sempre digo que experimentar coisas novas não tem prazo. Todo mundo cabe.”

Boa parte das atividades nasce de dentro da própria comunidade. As oficinas são organizadas tanto pela equipe quanto pelas participantes. Foi assim com aulas de Libras, educação financeira, automaquiagem, artes e crochê. Há clube do livro, rodas de conversa, atividades esportivas e encontros afetivos que acontecem em cafés, parques e espaços culturais. “A gente escuta muito o que as meninas querem viver. Cultura também é convivência.”

Trajetória marcada pelo grupo

Entre as histórias que marcam a trajetória do grupo, uma acompanha Ana com carinho. Uma mulher contou que havia sofrido um AVC e passou muito tempo com medo de sair sozinha. Ao entrar no Chega Mais, decidiu começar pela oficina de aquarela. No fim do encontro, relatou que se sentiu segura em um espaço coletivo pela primeira vez em muito tempo. “Eu nunca esqueci isso. Ali eu percebi que o projeto já era maior do que eu imaginava.”

Outras participantes falam sobre ansiedade, esgotamento e solidão na vida adulta. Muitas mães dizem que se reencontraram no grupo um tempo todo delas. “Algumas contam que esqueceram de cuidar de si depois da maternidade e que os encontros viraram um respiro semanal. Isso me emociona muito”, afirma.

O movimento também dialoga com o crescimento de redes femininas no Brasil, mas em Brasília ganha contornos próprios. Em uma cidade planejada e funcional, o Chega Mais cria dobras afetivas. Cafés viram pontos de encontro, ateliês se transformam em sala de estar coletiva e a experiência cultural passa a ser atravessada pelo encontro humano.

E os sonhos continuam. “A gente sonha grande”, diz Ana com leveza. A comunidade planeja lançar um podcast para contar histórias das próprias integrantes e discutir temas ligados à criatividade, carreira, saúde e afetos. Também existe o desejo de expansão. “Muita gente pergunta quando vai ter Chega Mais Goiânia, Chega Mais São Paulo, Chega Mais Rio. O nome já nasceu pronto para viajar.”

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