Adaptação da obra de Adriano Banchieri (1568-1634), compositor italiano nascido em Bologna, Barca di Venetia per Padova traz ao CCBB Brasília madrigais do século XVII contextualizados por uma encenação contemporânea. Desde a época em que foi feita, a obra destaca-se pela vivacidade do texto e pelos recursos e técnicas musicais utilizados. O público terá oportunidade de conhecer essa ópera, escrita e executada pela primeira vez em Veneza, no ano de 1604, no Centro Cultural Banco do Brasil no período de 24 de fevereiro a 2 de março. Também haverá um debate sobre o tema A inserção do moderno na arte clássica após a apresentação do dia 02 de março, com a presença dos diretores, professores, artistas e estudiosos convidados.
A Barca di Venetia per Padova é composta de vinte madrigais a cinco vozes com o acompanhamento de cinco instrumentos e baixo contínuo, para narrar uma viagem de barco entre as cidades de Veneza e Pádua, que funciona como elemento aglutinador das diversas situações narradas. Na ópera, Banchieri busca fazer um pequeno retrato da Itália, e mesmo de uma parte da Europa, de seu tempo. No decorrer da viagem, são apresentados personagens oriundos de diversas partes do continente europeu, cada um cantando em seu próprio dialeto. Os passageiros são: um vendedor de livros de Florença, um alemão, cantores de todas as partes da Itália, cortesãs, dois judeus, pescadores, homens de negócios e um soldado. Os personagens promovem uma verdadeira mistura de culturas e dialetos. Apesar das diferenças, todos apresentam um objetivo em comum: chegar a Pádua.

A ação começa com um convite para que as pessoas entrem na barca, pois o veículo já vai partir. Iniciam-se as despedidas e as apresentações. Por coincidência, vários cantores pegaram o mesmo transporte e cada um deles se propõe a interpretar um madrigal de sua região. Desta forma, o compositor, organista, teórico musical, poeta e monge Adriano Banchieri conseguiu reproduzir os diversos estilos dos mais proeminentes compositores de sua época.
O diferencial da presente montagem é seu ineditismo estético, obtido mediante a contextualização da música renascentista com o olhar do homem do século XXI. A direção musical de André Vidal e Cecília Aprigliano, músicos já experientes em palcos nacionais e internacionais, se unirá à direção de arte de Adriano e Fernando Guimarães, responsáveis pela concepção cênica moderna do espetáculo.
A música será interpretada no idioma original da obra (italiano) e, para que o público possa acompanhar melhor as ações, antes de cada sessão será distribuída uma sinopse do texto e um programa do espetáculo. Os espetáculos serão realizados de 24 de fevereiro a 02 de março; de segunda a sábado, às 20h30; domingo, às 19h30. Classificação indicativa: livre.