Delírio / 1999
Espetáculo solo de Ângelo Madureira, foi criado em 1999, após o processo de pesquisa do solo de Bateria feito através da Bolsa de Pesquisa Rede Stagium, em 1998. Neste experimento, Ângelo Madureira buscou no livro Frevo Capoeira e Passo de Waldemar de Oliveira, conceitos sobre o frevo. Nesse livro, Waldemar cita que o frevo é a música e o passo é a dança.
Através desse conceito, Ângelo Madureira desenvolveu o solo de bateria, onde substituiu a música do frevo pelo som do rock progressivo, com esse material surgiu a seguinte pergunta: – Se tirar a música do frevo, o que se dança? Como resultado desse questionamento surgiu o espetáculo Delírio, uma obra lúdica, com características fortes da maneira de representar a dança popular em cena.
É sempre difícil identi?car o começo de uma história. Para Ângelo Madureira, o seu solo Delírio pode ter nascido sete anos antes da estreia, em um aniversário do Balé Popular do Recife, com a música que dá nome ao solo (composta por seu tataravô Tonheca Dantas) e um personagem criado por seu próprio pai. Mas também poderia ter sido em uma madrugada solitária, um ano depois de chegar a São Paulo, durante a leitura da carta de recomendação escrita pelo pai que guardava nas costas a fábula de um curumim que, após retornar à tribo de origem, não conseguia mais se reconhecer.
Essas referências afetivas ainda estão muito presentes, mas de lá para cá muita coisa mudou, sobretudo a partir do encontro com Ana Catarina Vieira. A partir daí, surgiram muitas perguntas e algumas continuam sem resposta: A dança se organiza a partir de um banco de passos ou a pesquisa pode desdobrá-los recriando corporalmente uma historiogra?a das primeiras formas? Como escapar das classi?cações que não admitem os entre-lugares? Como sobreviver fora do lastro das etiquetas que garantem a circulação em mercados especí?cos?
Em 2006, Clandestino amadurece essas inquietações e radicaliza a pesquisa, uma vez que, desde 2000, Ângelo e Catarina já haviam fundado juntos uma escola e os confrontos entre a formação de balé clássico dela e da dança popular dele, haviam passado por fases diferentes.
Ficha técnica:
Criação, interpretação, figurino e cenografia: Ângelo Madureira
Direção: Ana Catarina Vieira
Direção técnica, administração e iluminação cenográfica: Juliana Augusta Vieira
Assistente de direção e produção: Luiz Anastácio
Músicas – Delírio:
Matinada, Valsa para Bilu, Biu do Pífano, Caldo de Cana, Maracatu Indiano, Mourama, Laursa, Cocão, Kuarupe e A Cobra de Ántulio Madureira, Relembrando o Norte de Severino Araújo.
O Grupo
Desde 2000, Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira desenvolvem juntos um projeto de pesquisa investigativa para dança baseado no diálogo entre suas diferentes formações artísticas. Ana Catarina criada na metodologia Vaganova adaptada para corpos latinos americanos apreendidos com Sacha Svetloff e Ângelo Madureira apreendeu e vivênciou as pesquisa e criações realizadas pelo Balé Popular do Recife dentro do projeto promovido pelo Ariano Suassuna no Moviimento Armorial.
No ano de 2003, a dupla iniciou percurso de pesquisa em dança contemporânea. Ao longo destes dez anos de trajetória produziram, criaram e dirigiram: Delírio/2000 Nação Brasílica/01, Brasílica Ritmos/02, Somtir/03, Outras Formas/04, Como?/05, Clandestino/06, O Nome Cientifico da Formiga/07, Agô Dança Contemporânea/08, O Animal Mais Forte do Mundo/09, O Animal Mais Forte do Mundo.2/09, Somtir.2/2010, Baseado em Fatos Reais/2010, A Revolta da Lantejoula/2011, Nafta/2011, Mapa Movediço/2012.
Receberam os prêmios APCA/03 de revelação pela pesquisa e APCA/07 pelo percurso da pesquisa, Prêmio Estimulo à Dança/03, Prêmio Itaú Cultural, Prêmio Cultura Inglesa/05, Prêmio Funarte Petrobras/06, Prêmio Funarte Petrobras Circulação/07, Prêmio Klauss Vianna/09, Programa de Fomento à Dança de SP – IV, VII, IX e XII edital, Caixa Cultural 2010 e 2012, Edital Proac Circulação/2012.
Participaram de importantes festivais nacionais e internacionais de dança entre eles Move Berlim/07 e 2011,Queer Zagreb/08 e 2012, Perforacije 2011, Panorama Rio Dança 2005, 2009 e 2011, Panorama SESI de dança 2005 e 2010, Festival Internacional Serra da Capivara, Festival Internacional de Nova Dança, Festival de Dança de Araraquara, entre outros.
Em 2007, participaram da Residência Artística Crisantempo com apoio de Gisela Moreau, que posteriormente gerou uma parceria com o músico Guga Stroeter onde criaram o espetáculo Agô Dança Contemporânea, com grande elenco de bailarinos e a Orquestra Heartbreakers. Durante os anos de 2008 e 2009, trabalharam com o ilustre Fernando Faro, diretor e criador dos Programas Ensaio e Móbile da TV Cultura que dirigiu os espetáculos, O Nome Científico da Formiga e O Animal Mais Forte do Mundo. No ano de 2011, ao lado de Nóbrega e Carlinhos de Jesus participaram do filme “Os Brasileiros” dirigido por Phelippe Barcinski para TAL – Televisión America Latina que foi lançado na abertura do Festival Internacional Latino Americano e esta sendo exibido nas televisões publicas da América Latina.
Com apoio do Programa de Fomento à Dança o grupo promoveu ações como o grupo de estudos formado por Ana Carla Fonseca, Sonia Sobral, Christine Greiner, entre outros , dedicando-se por oito meses a investigar novos caminhos para a dança contemporânea, investigando os temas: Sustentabilidade para dança contemporânea, Publicos, Economia da Cultura, Políticas Culturais e Gestão Cultural.
No ano de 2011, realizaram na Croácia, uma co-produção internacional com o Festival Internacional Perforacije, onde foi criado o espetáculo Nafta que foi apoiado com recursos da União Européia. Em 2012, realizaram curadoria para Itáu Cultural na Mostra intitulada de Corpo, Memória e Autoria. No ultimo ano o grupo se apresentou em festivais nacionais e internacionais como o Festival Prisma (Panamá) e em Nova York.
Atualmete o grupo tem o partocínio da Petrobrás Cultural.
Neste percurso, Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira vêm conquistando plateias e a crítica especializada de diversos lugares do Brasil e do exterior. Todas as obras artísticas são resultado de um amplo processo de pesquisa onde o balé clássico, a dança contemporânea e a cultura popular se reconfiguram em uma nova linguagem.
Serviço:
Dias: 14, 15 e 16 de fevereiro
Horários: Sexta e sábado às 20 horas e domingo às 19h
Local: Teatro da CAIXA Cultural Brasília, SBS, Quadra 04 – Edifício Anexo à Matriz da CAIXA
Oficina: dia 15 de fevereiro(gratuita), às 15h. Vagas Limitadas.
Pelo email: oficinadancabrasiiia@gmail.com
Informações: 3206-9448.
Classificação indicativa: 12 anos
Site: www.anaeangelo.com