Embora agora meio em segundo plano, durante muito tempo seu nome foi praticamente sinônimo de cinema Chaplin – A Obra Completa, caixa de 20 DVDs da Versátil, permite percorrer a íntegra do criador de Carlitos, desde quando o personagem ainda não existia até a parte final da obra, quando o Vagabundo deixou de comparecer na tela, pelo menos na aparência. São 13 longas-metragens e 65 curtas, com muitos extras que permitem situar a importância da obra e resgatar-lhe o significado.
A trajetória de Chaplin é única, em toda a história do cinema. Da infância miserável em Londres, alçou-se a gênio milionário nos Estados Unidos, criador do personagem universal que evoca a bondade e a compaixão em meio à pobreza. Mas também a malícia e a esperteza, o confronto com patrões e com a polícia, isto é, com as classes dominantes e com o aparato repressor do Estado.
Essa postura de artista, e também algumas amizades e atitudes na vida privada, fizeram de Chaplin persona non grata diante do Comitê de Atividades Antiamericanas durante o macarthismo.
Construção
O cinéfilo que acompanhar seu percurso filme a filme assistirá à lenta construção desse personagem emblemático, um dos ícones mais fortes do século 20, sem qualquer dúvida. Ele vai sendo afinado pouco a pouco até surgir na fase da empresa Essanay, quando por fim em O Vagabundo todos os traços da figura são reunidos.
As calças desengonçadas, a bengala, os sapatos cômicos, o chapéu coco, o bigodinho – quem não conhece a figura? Muito antes que alguém falasse em globalização, ela se difundiu em todos os cantos do mundo através da arte universalizável que é o cinema.
Ele foi um gênio do universo cinematográfico
Os longas-metragens de Chaplin no topo do cânone do cinema do século passado: Em Busca do Ouro (1925), O Circo (1928), Luzes da Cidade (1931), Tempos Modernos (1936), O Grande Ditador (1940).
Com a arma do humor visual em suas gags célebres, Chaplin aborda grandes temas do seu e de todos os tempos: a ambição a devorar o homem, mas que pode ser redimida pela força da bondade que também leva dentro de si; a desumanização causada pela mecanização do mundo, a grande ameaça dos totalitarismos, e por aí vai. É como se todo um programa de crítica social estivesse contido nas singelas trapalhadas do grande vagabundo.
Sucesso
Essa ambição de fundo não passou despercebida nem pelo público e nem por artistas e intelectuais. Chaplin tornou-se “a” figura do cinema mundial durante muitos anos. Seus ideais humanistas o fizeram admirado por gente como Albert Einstein e Pablo Picasso.
O fato é que Chaplin ocupou durante tanto tempo o Olimpo cinematográfico que, aos poucos, fomos nos esquecendo do gênio que ele é.
Isso explica, em parte, o fato de nenhuma de suas obras-primas ocupar as dez primeiras posições dos melhores de todos os tempos. É hora de redescobri-lo.
Serviço:
Chaplin – A Obra Completa
Discos: 20
Distribuidora: Versátil
Duração: 2940 minutos
Bônus: Encarte com 16 páginas, além de extras, como documentários em que Bertolucci e outros cineastas falam de Chaplin.
Preço médio: R$ 199,99