Ao lado de refilmagens e adaptações de quadrinhos de super-heróis, versões de grandes sucessos da literatura juvenil são a galinha dos ovos de ouro de Hollywood desde o sucesso da franquia Harry Potter, passando por Crepúsculo e Jogos Vorazes. A bola da vez é Divergente, que estreia hoje nas telonas. A nova distopia provém do livro homônimo, best-seller de Veronica Roth. O filme conta a história de Tris (Shailene Woodley) que, ao completar 16 anos, precisa fazer uma daquelas escolhas (típicas de filmes do gênero) que mudará sua vida para sempre.
Como a sociedade em que vive é dividida em cinco facções (Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição), segundo as virtudes de seus membros, a garota deve decidir onde se encaixa melhor, mas não tem como voltar atrás após sua escolha. A verdade é que ela não se encaixa em nenhuma delas (ou se encaixa muito bem em várias delas). Por isso, o nome divergente do título, característica que pode colocar em risco todo o sistema de controle à sociedade imposto no filme.
Facções
Criada na Abnegação, a protagonista decide integrar a facção Audácia quando chega a hora. Grupo formado por jovens atléticos vestidos de preto que parecem só se movimentar utilizando elementos do Parkour, sua nova facção – que tem o dever de proteger toda a cidade – força Tris a testar todos os seus limites. A medida em que a mocinha vai descobrindo verdades sobre si mesma, o filme nos revela, de maneira engenhosa, uma série de graves falhas sobre o lugar onde Tris nasceu.
Dirigido por Neil Burger, Divergente deve agradar os fãs da trilogia, assim como aqueles que desconhecem os livros. Isso graças às cenas de luta e a química dos protagonistas, vividos por Woodley e o galã Theo James, que interpreta o misterioso Quatro.
O maior mérito é manter interessante e de forma bem explicada todos os elementos do filme, que soam complicados se colocados numa sinopse qualquer, mas não no desenvolvimento da trama. Parte disso se deve a competência de Burger, cineasta conhecido por simplificar tramas complexas, como O Ilusionista (2006) e Sem Limites (2011).
Talentosa e carismática
Escolha certeira para o papel de Tris, a carismática Shailene Woodley comprova que não é a nova queridinha de Hollywood por acaso. A atriz entrega uma atuação segura, assim como fez anteriormente em obras como o premiado Os Descendentes (2011) , The Spectacular Now (2013, romance superelogiado saído de Sundance e ainda inédito no Brasil) e A Culpa é das Estrelas, outra adaptação de best-seller, que deve chegar logo aos cinemas brasileiros.
Longa com boa produção
Com uma Chicago pós-apocalíptica e cinza, a fotografia ajuda o filme a dar o tom necessário para que acreditemos estar num futuro não tão distante, mas ainda sim assustador. Os figurinos de cada facção também se encaixam na distopia, apesar de ficarem devendo (e muito) aos da bem-sucedida franquia Jogos Vorazes.
Destaque para a trilha sonora, produzida por Hanz Zimmer. Grande parte da tensão que parece nos prender na cadeira durante todo o filme se deve a ela, simplesmente sensacional.
Interpretações
Apesar do resto das atuações não ajudar, seria injusto dizer que não há bons momentos. Ashley Judd (As Faces de Helen), que vive a mãe de Tris, faz o que pode com o papel limitado que recebeu.
Já Kate Winslet (Pecados Íntimos), que dificilmente decepciona nas telonas, não convence na pele da misteriosa e poderosa Jeanine, a líder da facção Erudição, que quer derrubar a Abnegação do poder.
Saiba Mais
Com 2h19m de duração, o longa acaba sendo um pouco cansativo.
O processo de treinamento ocupa a maior parte da produção, o que é até bacana, mas acaba por arrastar um pouco a fita.
Diferentemente de outras adaptações literárias voltadas para o público teen, como A Hospedeira e Dezesseis Luas, que fracassaram nas bilheterias, vale a pena esperar pela sequência (Insurgente) – que, graças a boa estreia de Divergente nos EUA, não deve tardar a ser produzida.