Raquel Martins Ribeiro
raquel.martins@jornaldebrasilia.com.br
A cultura pode, sim, ser um meio de transformação social. Com teatro, música, contação de histórias e literatura, os voluntários da Associação São Francisco de Assis (Asfa), localizada na Cidade Estrutural – região administrativa onde está situado o maior lixão da América Latina – conseguem resgatar a dignidade das cerca de 100 crianças atendidas pelo projeto Asfa Cultural.
“A nossa ideia é criar um espaço de convivência cultural onde jovens de todas as idades possam ter experiências que provavelmente não teriam em outras circunstâncias”, ressalta Regina Rodrigues, fundadora da associação.
“As coisas sempre foram feitas de maneiras muito simples, pois somos poucos voluntários. Mas a cada dia, sentimos a necessidade das próprias crianças por mais”, conta Regina, que ao lado do esposo Valmir fundou a Asfa, em 2008.
Agora, a ideia da entidade é montar uma biblioteca comunitária com a ajuda de doações que esperam receber. “É mais uma sementinha que estamos plantando, como fazemos com o coral e com as oficinas de arte com materiais recicláveis”, explica.
Contação de história
Segundo a idealizadora do projeto beneficente, os livros doados podem transportar os jovens para outro universo e tirá-los, mesmo que momentaneamente, da realidade em que vivem. É o que acontece durante as contações de histórias. “Além disso, nos ajudará a alfabetizar muitos deles que, mesmo já estando em séries avançadas na escola, ainda não sabem ler. Esse é outro desafio que temos pela frente”, completa.
A Asfa Cultural promove iniciativas que desenvolvem o gosto pela arte nas crianças. Regina revela que uma das dinâmicas propõe que todos fiquem quietos ouvindo música clássica. Aqueles que conseguirem, ganham um presente no final da atividade.
“Com isso eles vão ficando mais familiarizados com outros sons, conhecem outros autores, e acabam fugindo um pouco do que estão acostumados a ouvir na rua”, afirma Regina.
No último dia 9 de dezembro, o Jornal de Brasília visitou o espaço e doou obras literárias para integrar a estante da biblioteca comunitária da associação.
Doações que levam esperança
Muito ainda pode ser feito pelas crianças da Associação São Francisco de Assis. Pois além de livros, o local ainda carece de muitas outras coisas. “Precisamos de cimento, tijolos, areia, entre outros materiais de construção. Queremos fechar as salas, pois quando chove os livros estragam, acabam molhando. Sem contar que é difícil realizar atividades diferentes simultaneamente, já que a aula de música atrapalha a de leitura, a de capoeira atrapalha o teatro…”
Outra necessidade da entidade são pessoas dispostas a trabalhar como voluntárias durante os dias da semana. “Nós só abrimos nos fins de semana porque todos trabalham ou estudam. De segunda a sexta, o espaço fica fechado e as crianças ociosas. Quem puder se doar de alguma maneira, será muito bem-vindo”, finaliza Regina, que defende que toda habilidade é útil. O importante é que o voluntário acredite que pode mudar, mesmo que pouco, a vida de quem mais precisa.
Saiba mais
Quem quiser colaborar com a Associação São Francisco de Assis, basta ligar no número 9988-8180 ou acessar o site asfadf.org.br e enviar uma mensagem.
O Instituto Cervantes (707/907 Sul) também está arrecadando livros infanto-juvenis para Casa da Criança Batuíra, localizada em Ceilândia, e que atua na reintegração familiar de crianças.