Retrato intimista de uma história de amor regada a muito romantismo e realismo, Lunchbox é o primeiro longa do diretor indiano Ritesh Batra. No filme, Ila (Nimrat Kaur) tenta reconquistar o marido indiferente (Nakul Vaid) com segredos culinários ensinados pela divertida tia que mora no andar de cima. Por engano, as marmitas feitas por Ila com todo amor e carinho acabam parando na mesa do viúvo Saajan (Nimrat Kaur), que está prestes a se aposentar.
Ao perceber o erro, a protagonista escreve um bilhete para Saajan, que por sua vez, responde elogiando sua comida, e assim se inicia a história dos dois, que passam a trocar mensagens diariamente. Eles encontram no outro o que está faltando em suas vidas, uma companhia para dividir as angústias e medos guardados.
A inspiração do longa veio das pesquisas do cineasta para um documentário sobre os “dabbawallas”, entregadores de marmitas de Bombaim. Diariamente, pouco antes do almoço, dezenas de milhares de “dabbawallas” enchem as ruas da cidade recolhendo marmitas para levar aos locais de trabalho dos trabalhadores. Tudo é feito com tamanha precisão e pontualidade que o trabalho dos marmiteiros passou a ser estudado por grandes empresas e escolas de negócios do Ocidente.
Interação
Como as principais cenas do filme são com os atores principais interagindo separadamente, Batra encontrou um jeito simples e bem delicado de conectar o casal entre uma cena e outra, como quando uma mosca teimosa é abanada do rosto de um dos personagens, indo perturbar seu par romântico.
Conhecido por atuar em sucessos de bilheteria e ser um dos atores mais disputados do cinema indiano, Irrfan Khan nos presenteia com uma interpretação soberba. O filme retrata uma Bombaim real, dura – diferente da exuberante Índia maquiada nos títulos produzidos por Bollywood. Mas o que torna a produção especial é a doçura (e melancolia) com que os personagens são construídos e revelados. Vale (e muito) uma ida ao cinema.