Daniel Ribeiro é um nome a se prestar atenção no cinema nacional. Depois de estrear no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em 2008 com o curta Café Com Leite, ele passou por Berlim (onde saiu premiado) e seguiu carreira. Seu segundo curta, Eu Não Quero Voltar Sozinho, trilhou um caminho de sucesso semelhante.
Agora, o diretor lança seu primeiro longa-metragem: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, uma releitura mais aprofundada do curta.
Com o mesmo elenco e praticamente a mesma equipe, o paulista mostra que tem pulso firme na direção e sabe contar uma boa história independentemente da duração. Na telona, vemos a amizade entre o jovem cego Leonardo (Guilherme Lobo) e Giovana (Tess Amorim). Colegas de sala, eles têm o relacionamento alterado com a chegada do novo aluno, Gabriel (Fabio Audi). Surge, então, um triângulo amoroso que é enriquecido com questões como a descoberta da sexualidade e a desejada independência do adolescente que não pode enxergar.
Muito sutil, o filme é permeado por momentos inspirados. Totalmente focado em seus personagens plausíveis, o ótimo roteiro, assinado pelo próprio diretor, capta bem a essência da juventude na forma de diálogos naturais e verdadeiros. Levanta, também, a questão da homossexualidade sem levantar bandeiras, da forma que ela merece ser tratada: natural. Imperdível.