Em busca da tão almejada fama, seja por valores pessoais ou simplesmente para acompanhar o mercado fonográfico, alguns cantores e bandas acabam mudando totalmente de estilo. Para alegria de uns e tristeza de outros, arriscam-se em novas perfomances para tentar se adequar a indústria. Exemplos não faltam. A canadense Alanis Morissette é um caso típico de quem precisou dar uma guinada de 180 graus na carreira para conseguir alcançar o estrelato, passando do dance-pop bobinho para o rock explosivo que conquistaria fãs no mundo inteiro com Jagged Little Pill.
Aqui no Brasil, o ex-vocalista do grupo Raimundos, Rodolfo Abrantes, chocou os fãs ao largar a banda no auge da fama para dar início a carreira gospel. Com discos como Santidade ao Senhor e R.A.B.T – Rompendo a Barreira do Templo, o brasiliense mostrou que o rock do Raimundos ficara no passado.
A irreverência de Baby Consuelo também ficou (quase) toda para trás quando a artista se converteu nos anos 1990. Com o nome Baby do Brasil, virou cantora gospel. As roupas curtíssimas e os cabelos coloridos pouco mudaram, mas o repertório acabou repaginado.
Indecisão
O cantor brasiliense Raimer Lopes, ainda conhecido como MC Raymer em sua fanpage no Facebook, já navegou por várias águas. Começou a carreira no rap, com o grupo Discriminados, conseguindo projeção nacional. Raimer acabou deixando o estilo ao formar uma dupla sertaneja com Ruan. “Quando começava a ficar conhecido no sertanejo, recebi uma proposta ainda melhor: investir no funk melody. Em apenas seis meses, consegui ganhar mais do que na vida inteira”.
Como MC Raymer, ele provou novamente o gosto da fama com o clipe da canção Tamborzão Style, mas sua vida ainda iria tomar novos rumos. Após conseguir fama e dinheiro, Raimer largou tudo para se tornar um cantor gospel. “Achei o que quero pra mim e me sinto bem mais realizado pessoalmente”, garante o artista.
Do rock pesado ao forró
Nascido em Natal (RN), o cantor Frederico Bragança precisou passar por uma transformação radical quando decidiu mudar de estilo. Vocalista da banda de glam rock Hottnyte, Freddy Frenzzy, como era chamado na época, tinha um visual dark, usava maquiagens fortes e abusava dos vocais agudos.
Apesar de feliz com os rumos da carreira, a falta de retorno financeiro o levou a abraçar um dos estilos musicais mais odiados pelos fãs do rock pesado tocado pelo ex-grupo do cantor. Fred Bragança assumiu novo visual e se tornou vocalista da banda de forró Bota Pressão.
“Foram três anos com a Hottnyte. Conseguimos um reconhecimento relativo, mas não havia sucesso no sentido financeiro. Resolvemos, então, investir no que pega em Natal, que é o forró”, explica.
O outro lado
Fã de carteirinha da Hottnyte, Pedro Augusto Barbosa conta que ficou bem triste quando o ídolo decidiu largar a banda. “A cena roqueira de Natal e do Nordeste, em geral, é bem fraca. Ele acabou me fazendo gostar de forró ao decidir seguir o gênero e, hoje, acompanho o Bota Pressão”, diz.
Segundo Fred, diferente do que aconteceu com Pedro, é normal que alguns fãs não entendam a decisão do ídolo em situações como essa. “Eles se sentem um pouco órfãos. Com um sentimento parecido ao que passa com um filho que precisa lidar com a separação dos pais. Eles querem entender os motivos. Às vezes, é só uma escolha pessoal, de vida. Pode ser também que tenha sido influenciada por razões mercadológicas”, explica.
O importante, de acordo com o cantor, é que o artista consiga se sentir realizado e apoiado pelo público, independentemente da sua escolha artística. “No meu caso, foi legal me despir da maquiagem e da indumentária daqueles personagens, ser mais Clark Kent do que Super-Homem”, brinca o cantor de forró.