As cenas iniciais de Entre Nós fazem lembrar da turminha que todo mundo um dia já teve (ou deveria ter tido) na adolescência. Com um ar de nostalgia, a câmera acompanha a íntima relação de amizade de um grupo de amigos que sonha com um futuro brilhante na carreira de escritor. Tudo com uma certa inocência rebelde, típica da idade, e descompromisso com o mundo das responsabilidades.
Todos selam um pacto e escrevem cartas que ficam numa caixa que é enterrada e deve ser lida dez anos depois. Passado o prazo, já adultos, eles se reencontram para ler os textos. E é quando se redescobrem bem diferentes do que eram antes: frustrados, arrependidos e amargurados.
Dirigido e escrito por Paulo Morelli (Cidade dos Homens) ao lado do seu próprio filho, Pedro Morelli, o longa é um drama diferente dos filmes nacionais produzidos ultimamente. Os personagens são de classe-média alta e o foco do roteiro, que fala sobre vários temas, entre eles a passagem do tempo, é a relação entre o grupo e como uma década faz com que todos mudem.
Mistério
A produção traz um elenco repleto de atores globais, entre eles o protagonista Caio Blat, Carolina Dieckmann, Paulo Vilhena, Maria Ribeiro, o sempre ótimo Lee Taylor e a surpreendente Martha Nowill. Uma curiosidade é o fato dos artistas serem amigos na vida real, o que facilitou o entrosamento na ficção.
A morte de um dos amigos, ainda durante a fase inicial da história, repercute no reencontro, embalado por diversas lembranças. Ainda que não seja nem um pouco surpreendente, existe um segredo que liga a fatalidade com a vida dos personagens. O ponto mais alto, contudo, é como a trama revela o que aconteceu com cada um durante o salto temporal e como suas vidas atualmente estão.
Bem produzido e com uma fotografia bonita, Entre Nós mescla humor e até suspense para contar uma história que chama a atenção pelo realismo – seja ele pessimista ou não. O final aberto sugere uma possível continuação, que pode concluir ou pelo menos prosseguir com a história.