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Viva

Apesar de vasta produção de filmes, comédias predominam nas telonas

Arquivo Geral

05/01/2016 7h00

Por que, apesar da rica e diversificada produção cinematográfica brasileira – que pode ser vista nos festivais espalhados pelo País –, o que se vê nas salas de cinema é a saturação das comédias? O cineasta, jornalista e escritor Arnaldo Jabor tem seu parecer. Para ele, a plateia busca algo diferente. “Atualmente não há engajamento com a arte. As pessoas não querem pensar. Não só porque são burras ou porque foram deseducadas nos últimos 20 anos, mas porque elas vão ao cinema para esquecer do mundo”, acredita o diretor.

“As pessoas que vão aos festivais são diferentes. Elas têm uma visão artística do cinema, vão atrás de poesia e de arte. A tragédia é que o espectador mudou”, avalia Jabor, que diz não ter como conseguir hoje os mesmos 4,5 milhões de espectadores que fez com Eu Sei que Vou Te Amar , de 1987, sucesso de público e de crítica em que o foco em cena eram duas pessoas conversando.

Burocracia

Jabor aproveitou a sua participação na última edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental – Fica, realizado na Cidade de Goiás, para fazer uma análise do atual cenário que envolve o mercado da sétima arte brasileira. Para ele, o filme fica refém da burocracia para conseguir financiamento, outro fator que dificulta a pluralidade das obras que chegam ao grande público. “É uma situação absurda, trágica mesmo. Quando o dinheiro sai, é com atraso. Às vezes só quando o filme termina”.

Mesmo com o aumento da produção, que no ano passado chegou a 114 filmes, de acordo com o jornalista, o cinema ainda é uma arte de exceção no País, e vive na corda bamba. “Essa armadilha burocrática que existe em volta do cinema vai provocando filmes que fazem qualquer coisa para ganhar dinheiro. Vai provocando a imbecilização do cinema brasileiro”, garante.

Otimismo e  falta de apoio

Presente em dois filmes bem distintos em 2015, o ator Augusto Madeira é mais otimista em relação ao momento pelo qual o cinema brasileiro está passando. “Hoje em dia, a gente tem uma indústria. Já temos uma quantidade de lançamentos maior e estamos voltando a estabelecer um público”,  constata.

Ainda assim, Augusto reconhece o excesso das comédias. “Mesmo que exista um descompasso, em um país como o Brasil, a gente agradece por poder fazer cinema”, completa o ator, que estrelou, em 2015, a comédia de humor negro A Esperança é a Última Que Morre, com Dani Calabresa, e o drama Nise – O Coração da Loucura, que traz a atriz Glória Pires no papel principal. “Filmamos Nise há mais de três anos. É um filme sério que, mesmo tendo Glória no elenco, ficou dois anos parado na mão de um distribuidor”, relembra o comediante da nova versão do global Zorra Total.

A atriz Katiuscia Canoro, que também atuou em A Esperança é a Última Que Morre, acha que “ainda estamos longe de ter uma indústria”. Ela  deixou o  Zorra Total, em que ficou conhecida em todo o País com a personagem Lady Kate, para se arriscar em outras frentes, mas conta estar sentindo na pele a falta do apoio da emissora de Roberto Marinho. “Tinha vontade de fazer meus projetos, mas é complicado demais. A gente está nas mãos de distribuidores”, lamenta a artista.

Estreias previstas

Quinta-feira:  Vai que Dá Certo 2,   de Maurício Farias

14/01: Boi Neon,  de Gabriel Mascaro

21/01: Reza a Lenda,  de Homero Olivetto e Os 10 Mandamentos,  de Alexandre Avancini

11/02: Um Suburbano Sortudo,   de Roberto Santucci

03/03: Apaixonados,  de Paulo Fontenelle

10/03: Mundo Cão,  de Marcos Jorge

24/03: A Frente Fria que a Chuva Traz,  de Neville de Almeida

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