
Cinema, fotografia e literatura. Todas essas manifestações artísticas vão homenagear Brasília em seu aniversário de 56 anos, comemorado hoje. O que une e, ao mesmo tempo, difere essas iniciativas são os olhares diversos que elas apresentam sobre cada espaço da cidade.
A capital federal é o tema central da exposição #minhabrasília, idealizada pelo jornalista Daniel Zukko. Em cartaz até o dia 8 de maio, no Pier 21 (Setor de Clubes Esportivos Sul), a mostra traz cerca de 30 imagens que retratam a intimidade, beleza e peculiaridade de alguns cantos do Distrito Federal. “As fotos não são óbvias, são olhares únicos. Foram feitas não apenas para encantar o turista, mas principalmente para que as pessoas daqui se identifiquem”, ressalta Zukko.
Nascido e criado no cerrado, Daniel vê a cidade como fonte de inspiração para todo o seu trabalho. O jornalista é conhecido por apresentar o programa – também intitulado – #minhabrasília, em que entrevista personalidades de todos os ramos a bordo de sua Brasília amarela. “Tudo o que faço é para que as pessoas amem a cidade, assim como eu amo”, afirma. O programa pode ser conferido pelo YouTube.
Em preto e branco
Para rechear ainda mais a programação de aniversário, outra exposição tipicamente brasiliense está atraindo o público.
Até o dia 15 de maio é possível apreciar as obras de mais de 19 artistas plásticos na mostra Brasília em Preto e Branco – 56 Anos.
Em cartaz na Galeria de Arte do Templo da Boa Vontade (915 Sul), o evento reúne pinturas, esculturas e objetos, todos tendo como tema a reflexão sobre a capital federal, reconhecida pela Unesco como patrimônio cultural da humanidade.
Os artistas foram convidados a materializar suas inspirações sobre os aspectos históricos, sociais, ecológicos, ambientais, e sobre o dia a dia do cidadão brasiliense.
Aberta à visitação, diariamente, das 8h às 20h. Entrada franca. Informações: 3114-1070. Classificação livre.
Documentário desmistifica capital federal
Desmistificar a capital federal e mostrar que Brasília é uma cidade humanizada. Esses são alguns dos caminhos seguidos pelo diretor canadense Bart Simpson no documentário Brasília, Life After Design. O filme é uma coprodução entre Brasil, Canadá e Escócia e terá exibição pré-licenciada no canal Documentary Channel, do Canadá.
Na história, moradores comuns, ambulantes, estudantes e personalidades locais, como o poeta Nicholas Behr, falam do seu cotidiano e de sua relação com a cidade. “Eu acabei sugerindo alguns personagens para não ficar mais do mesmo. Por isso pensamos em colocar os depoimentos de vendedores, por exemplo, e de pessoas que realmente ressignificam Brasília”, explica Getsemane Silva, produtor do documentário.
Atualmente, o filme está em pós-produção e deve estrear em breve na cidade e no País.
Contadores de histórias
Enaltecer a arte de contar histórias é a intenção do Projeto Lupa (projetolupa.com), ação que reúne relatos de personalidades como o poeta Nicolas Behr, a cronista Conceição de Freitas e o roteirista e cineasta Iberê Carvalho. “(No projeto) tem muitos entrevistados de Brasília, que mostram que é possível viver da palavra. E ao contrário do senso comum, provam que a cidade tem uma cena cultural rica e constante”, conta a idealizadora Naiara Leão.
O site reúne depoimentos de profissionais que mostram como se forja um profissional de letras. “Cada entrevistado fala do processo criativo e da história profissional, que acaba se misturando com a pessoal porque é algo que 100% deles faz por paixão”, pontua Naiara, sobre o portal – que visa inspirar os apaixonados por literatura. “O que eles contam é às vezes comovente, às vezes surpreendente e curioso, ou mesmo admirável, mas sempre muito inspirador”.
O projeto se estenderá para o Rio de Janeiro e São Paulo. E a jornalista revela como será a continuidade das entrevistas: “No Rio, por exemplo, a proposta é entrevistar imortais da Academia Brasileira de Letras e críticos de arte, especialidade pouco desenvolvida no DF”.