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Acervo de Salvador Dalí ganha espaço na Caixa Cultural

Arquivo Geral

15/04/2014 7h00

Pintor, designer de joias, roteirista, vitrinista, publicitário, ilustrador de livros, figurinista, cenógrafo… Muitas são as definições para os talentos de Salvador Dalí, artista que toma, a partir de amanhã, toda a Galeria Acervo da Caixa Cultural (Setor Bancário Sul). O espaço recebe a exposição Surrealismo Tridimensional, que vai apresentar para os brasilienses, de amanhã até o dia 15 de junho, um lado não muito divulgado do gênio espanhol: o de escultor.

São, no total, 26 peças de tamanhos variados – algumas delas imensas, com mais de 3 metros. Francisco Lara Mora fez a curadoria das obras e teve um cuidado na hora de selecionar o que seria exposto. “Quis usar como critério que a exposição fosse representativa das diferentes temáticas por ele escolhidas: mitologia, iconografia cristã, história e surrealismo”, explica.

Assim, os visitantes poderão ver esculturas de Cristo de São João da Cruz, Ícaro, Mercúrio, além de Dom Quixote e outras – que são resultado da mente surrealista de Dalí, como Elefante Cósmico, Tripas e Cabeça e Broche de Okinawa. Juntas, todas as obras somam um total de quatro toneladas.

Modeladas

Os trabalhos pertencem a colecionadores particulares e muitos fazem parte da Coleção Clot, criada no período entre 1970 e 1981. 

Primeiramente modeladas em cera, as peças foram depois feitas em bronze, com a técnica da microfusão, também conhecida como fundição por cera perdida. O método de modelagem também é usado na fabricação de joias. “As esculturas foram modeladas por Dalí com toda liberdade no seu período de maturidade artística”, justifica Francisco, que ainda cita as obras  O Gabinete Antropomórfico (1982) e Vênus dos Pneus (1975).

Ao transitar pelas mais diversas searas da arte, pode ser difícil definir qual foi a maior legado de Dalí, que morreu em 1989, após um período de depressão. Muitos podem citar sua herança como o ícone máximo do surrealismo – a imagem do relógio derretendo está marcada no imaginário das pessoas – mas, para o curador, sua obra de maior sucesso foi ele mesmo.

“Sem dúvida, ele foi um autêntico gênio da autopromoção, fingindo-se às vezes autista e de forma intermitente exibicionista”, diz Francisco. “Ele foi um showman, que antecipou como ninguém a produção artística para o mercado das massas. Utilizando com maestria e sem pudor os meios de comunicação, e ainda fascina”, define.

Plural

Mora interessou-se primeiramente pela literatura de Dalí, embora o catalão seja lembrado por suas inúmeras contribuições artísticas. Os cinéfilos, por exemplo, não esquecem do curta-metragem O Cão Andaluz (1929), criado ao lado do cineasta e amigo Luis Buñuel. A onírica película ficou famosa, e a cena da navalha no olho é impactante até hoje, sendo uma das muitas marcas do artista.

“A seu favor temos que reconhecer que qualquer uma de suas obras: única, original ou múltipla, 25 anos depois de sua morte, não deixaram de se valorizar”, encerra Francisco. Sendo considerados criativos ou até mesmo bizarros, os tesouros de Dalí merecem ser sempre revisitados. A exposição é um bom caminho para se aventurar no incrível universo do artista.

Serviço

Salvador Dalí, Esculturas, Surrealismo Tridimensional  –   De amanhã a 15 de junho. Visitação de terça a domingo, das 9h às 21h. Na Galeria Acervo da Caixa Cultural (Setor Bancário Sul).  Entrada franca. Informações: 3206-9448. Classificação livre.

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