Já são 37 anos de estrada, 20 discos solos e três compilações. O alagoano Djavan vem a Brasília neste sábado para apresentar o show Rua dos Amores, uma mistura de canções do novo disco e hits da carreira. Em entrevista ao JBr, o músico falou sobre a pausa que tirou para se dedicar ao disco não-autoral e demonstrou entusiasmo juvenil ao comentar a nova turnê e o reencontro com a antiga banda. O distanciamento da televisão e os próximos passos também foram citados por um incansável Djavan, que, recém-chegado de uma turnê na Europa, demonstra guardar muitas cartas na manga quando o assunto é reinventar-se.
Você assina a direção do novo show. Como ele foi pensado?
Queria que o público interagisse, isso é sempre muito importante nas minhas apresentações. O show foi pensado para tornar essa proximidade – minha com a plateia – algo real, consistente.
O repertório mistura músicas do novo álbum, Rua dos Amores, com clássicos. Como foi feita a seleção?
A apresentação tem cerca de duas horas e 24 músicas. Sete do novo disco, como 15 Anos e Reberberou, e 17 clássicos da minha carreira. É claro que todas ganharam novos arranjos, um frescor a mais. É sempre desafiador mesclar músicas conhecidas e desconhecidas no mesmo show.
Mas você chegou a ficar na dúvida do que colocar?
Para ser sincero, a escolha não foi muito difícil. Elegi as mais famosas, mais pedidas pelo público. Sina, Flor de Lis, Se, Samurai, Meu Bem Querer, e por aí vai.
Além de compor e cantar as 13 faixas de Rua dos Amores, você assina a produção e arranjos. Onde arruma fôlego para tudo isso?
Compus todas letras em três ou quatro meses, mas vinha de um período longo sem escrever. Passei quatro anos me concentrando em outros projetos, como o disco Ária, em que cantava outros artistas. Quando comecei a fazer o Ruas, mergulhei de cabeça. Sou assim.
Como você conseguiu passar quatro anos sem compor? As letras não apareceram durante a pausa?
As letras apareciam, sim, vez ou outra. Mas eu estava focado no trabalho não-autoral. Tive receio de que as músicas não viessem quando finalmente decidi compor. Mas deu tudo certo quando precisei criar. O novo álbum tem reflexos da minha vida, saiu naturalmente.
E como é voltar a tocar com essa banda depois de 15 anos?
Está tudo ótimo, leve. Nos conhecemos muito bem, gosto de conviver com todos. Gravamos por sete meses, um período de felicidade e criação. E agora estamos em turnê.
E o lançamento do DVD da turnê? Sai este ano?
Sim, em dezembro para ser exato. É um projeto lindo e que merece ser registrado.
Os artistas costumam lançar seus trabalhos na TV, mas você é conhecido por evitar essa exposição.
Não é bem assim. No último ano, fiz algumas aparições (risos).
Mas por que manter uma certa distância da mídia televisiva?
A verdade é que, com a TV, vem a perda da tranquilidade. É um assédio imediato que deixa a vida menos confortável. Não há como negar. Adoro o contato com as pessoas, valorizo cada fã. Se estivesse o tempo todo na televisão, como iria andar por aí? Gosto de fazer compras, buscar meu filho mais novo na escola. Eu tive essa exposição no passado, e acabei perdendo esse dia a dia com a família, com os filhos.
Depois de 37 anos de carreira, ainda existe algum sonho não realizado?
É bom sonhar, mas meus anseios hoje são outros. É claro que vários projetos ainda vão surgir, mas prefiro desejar saúde e vontade de trabalhar, sempre. Não quero esmorecer e, para isso, preciso estar sempre bem. Tenho uma gana que é só minha, entro com tudo em um novo trabalho. Sem preguiça, sabe? Me doo bastante a cada uma das minhas histórias. Quero muito que isso continue assim.
Serviço
Sábado, às 22h.
No Shopping Iguatemi (Lago Norte).
Ingressos: Pista – R$ 80. Especial – R$ 120. VIP – R$ 180.
Valores referentes à meia-entrada.
Informações: 3342-2232.
Não recomendado para menores de 14 anos.