Limites a serem superados é o mote usado como inspiração pelo coreógrafo Rodrigo Pederneiras para criar o novo espetáculo da Grupo Corpo. Com um tipo de ataque cuja fúria se tornou caseira, Triz se apresenta amanhã e sábado, às 21h; e domingo, às 20h, no Teatro Nacional (ao lado da Rodoviária do Plano Piloto).
A nova obra é um passo na direção certa: uma coreografia de maior expressividade e sentimento do que outras peças recentes do grupo. A música sombria de Lenine, tocada apenas em instrumentos de corda, dialoga bem com movimentos mais angulares e agressivos do que é de costume para o grupo.
A ginga e o forte uso de braços e pernas que caracterizam o repertório de movimentos do grupo estão lá, mas mais “quebrados” e fortes.
Trios de duos
Uma mudança, alargando aquilo que melhor ele faz: seus duos, agora se distendem em trios de duos com mais um, e se espacializam como triângulos que tendem para o escaleno (aqueles em que cada lateral tem uma medida diferente).
Isso acontece em um mundo à parte, afilado em preto e branco, em pretos e brancos nus, inventado pelo frescor que não para de brotar da parceria de Paulo Pederneiras (cenário e iluminação, agora assinada também por Gabriel Pederneiras) com Freusa Zechmeister (figurinos).
Regido por uma poesia anterior à sua grafia e superior a cada aparecimento, nele, a crueza do chão, diagramado pela luz e pelos escuros, ganha o que o olho vê, mas não existe: o chão se dobra em diversos níveis, um escuro mais escuro cria um degrau.