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Viva

A força que nos move

Arquivo Geral

04/12/2013 9h28

Limites a serem superados é o mote usado como inspiração pelo coreógrafo Rodrigo Pederneiras para criar o novo espetáculo da Grupo Corpo. Com um tipo de ataque cuja fúria se tornou caseira, Triz se apresenta amanhã e sábado, às 21h; e domingo, às 20h, no Teatro Nacional (ao lado da Rodoviária do Plano Piloto).

A nova obra é um passo na direção certa: uma coreografia de maior expressividade e sentimento do que outras peças recentes do grupo. A música sombria de Lenine, tocada apenas em instrumentos de corda, dialoga bem com movimentos mais angulares e agressivos do que é de costume para o grupo.

A ginga e o forte uso de braços e pernas que caracterizam o repertório de movimentos do grupo estão lá, mas mais “quebrados” e fortes.

 

Trios de duos

Uma mudança, alargando aquilo que melhor ele faz: seus duos, agora se distendem em trios de duos com mais um, e se espacializam como triângulos que tendem para o escaleno (aqueles em que cada lateral tem uma medida diferente).

Isso acontece em um mundo à parte, afilado em preto e branco, em pretos e brancos nus, inventado pelo frescor que não para de brotar da parceria de Paulo Pederneiras (cenário e iluminação, agora assinada também por Gabriel Pederneiras) com Freusa Zechmeister (figurinos).

Regido por uma poesia anterior à sua grafia e superior a cada aparecimento, nele, a crueza do chão, diagramado pela luz e pelos escuros, ganha o que o olho vê, mas não existe: o chão se dobra em diversos níveis, um escuro mais escuro cria um degrau.

 

Lenine e a trilha
 
O rigor da cenografia e da iluminação expõe a impossibilidade de garantir os contornos. Não identificamos com clareza quando as linhas que pendem retas (são cabos de aço pesados) se amaciam em curvas, e demoramos a ouvir a conversa entre elas e as outras linhas que organizam o chão, que também cochicham com as cordas da música do cantor pernambucano Lenine.
 
Na segunda trilha que compõe para a companhia mineira (a primeira foi para Breu, em 2007), Lenine acabou se ‘grupocorporificando’.
 
“Dream team”
 
Sua música, agora ruminada na mesma lógica, desmonta a necessidade de um pacto. Como se tivesse surgido da mesma ordem do natural que a coreografia, faz-se escutar na dança que cada um deste elenco “dream team” de bailarinos realiza em cena.
 
Tradução de sentimentos
 
Dançando principalmente em duplas e trios, os bailarinos traduzem sentimentos como dor, solidão e medo. O bonito cenário de cabos de aço torna-se colorido, refletindo a iluminação. Já os figurinos, collants que partem os dançarinos em uma metade preta e outra branca, não têm nenhuma função a não ser distrair o espectador e atrapalhar a visualização dos movimentos de braços e pernas dos bailarinos.
 
 
Serviço
 
Triz –  De amanhã a domingo. No Teatro Nacional (ao lado da Rodoviária do Plano Piloto). Sexta-feira e sábado, às 21h; domingo, às 20h. Ingressos: R$ 45 (meia-entrada). Informações: 3325-6239. Não recomendado para menores de 14 anos.
 

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