A criançada também tem seu espaço no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. São oito filmes, abrangendo ficção e animação, para o deleite dos pequenos cinéfilos de plantão. Destaque para o longa brasiliense O Rei de Uma Nota Só e a Borboleta Azul, do diretor Carlos Del Pino, e A Grande Viagem, de Caroline Fioratti.
O primeiro revela o universo da ópera ao público infantil. O segundo, um curta-metragem, conta a história de avô e neto que viajam por meio da imaginação para os quatro cantos da Terra, misturando o antigo e o contemporâneo no divertido encontro de gerações.
Apego aos detalhes
“O público é exigente. Trabalhar com crianças é um desafio a cada trabalho. Eles se apegam aos detalhes”, revela Carlos Del Pino. O cineasta uruguaio radicado no Brasil conta que o longa, uma adaptação de duas minióperas escritas para crianças, tem a intenção de despertar, por meio do cinema, o interesse do público infantil por diferentes linguagens artísticas.
O Rei de Uma Nota Só… tem duas histórias. O elenco é o mesmo e pouca coisa muda entre um cenário e outro. Para o diretor, “o desafio não é só agradar as crianças, mas toda a família. O longa tem a missão de entreter e mostrar uma cultura a que poucos têm acesso”, salienta.
Teatro como trunfo
O diretor é do Uruguai, mas a história é voltada para o público brasileiro. “O País tem interesse pela novidade, diferente do Uruguai. O que me chama a atenção aqui é esse gosto pelo novo, sem preconceitos”, explica.
Carlos se aproveita da linguagem teatral para contar as histórias. Segundo ele, a arte e a tradição nos tablados casam perfeitamente com o estilo do cinema. “Não sou um diretor teatral, mas me interesso pela ópera feita nos palcos. Sabia que deveria levá-la para as telonas”, finaliza o diretor.