Se é fato que rainhas nunca perdem a majestade, Hortência Marcari mantém o clichê atualizado também fora das quadras. Desde que deixou as quadras, a eterna camisa 4 já caminhou pela gestão esportiva, pelo jornalismo e pelo mundo das palestras. Foi por causa desta última função que ela esteve em Brasília na quarta (25/09). Convidada pela Saúde Integral Assessoria, concedeu palestra para quase 200 corretores Assessorados pela Saúde Integral, além de conversar com a imprensa no camarim do auditório do SESI, no Setor Comercial Norte.
As conquistas da carreira mostram, por si, só o peso de Hortência no esporte mundial. Tricampeã Sul-americana (1978, 1986 e 1989), campeã pan-americana (1991), medalhista olímpica (prata em Atlanta, 1996), campeã mundial (1994) e escolhida para o Hall da Fama do Basquete, em 2005, ela comentou que a força mental foi o diferencial na construção de seu legado.
“Toda a mentalidade do atleta é uma mentalidade que pode ser copiada em qualquer segmento. Na família, na vida, na sua empresa. O que é isso? O atleta é disciplinado, se prepara muito, não desanima, busca desafios, é arrojado. Tudo isso você pode encaixar dentro da mentalidade de uma empresa: a maneira como se escolhe as pessoas que vão jogar do seu lado, onde você vai jogar”, disse a Rainha.
Outro ponto abordado durante a palestra e também na entrevista é a tomada de decisões, como a que a levou às Olimpíadas de Atlanta, em 1996, depois da aposentadoria e após cinco meses do nascimento do primeiro filho. “Eu quero passar, com isso, que tá tudo bem deixar seus filhos em casa, conviver menos horas com eles, desde que você saiba dividir entre sua profissão e sua família. Naquele momento, eu fiz a escolha de direcionar as energias para as Olimpíadas, que iam durar “apenas” um mês. Depois, voltei pra minha família. As crianças ficam bem também. A gente é que se dói mais com essas coisas”, pontuou.
Hortência ainda comentou a importância de saber delegar questões que, porventura, podem atrapalhar o rendimento de um profissional, seja dentro de quadra ou mesmo em um escritório, numa ação de vendas. “A gente tem que se cercar com os melhores. Eu busco estar ao lado de pessoas boas para eu não ter de me desgastar com isso. Se preocupar com tudo pode atrapalhar na hora de concentrar no que é mais importante”, indicou.
Com uma carreira ligada ao esporte como jogadora, gestora e ídolo, ela considera que a prevenção é o principal ponto em saúde. “Nós temos que estimular a população brasileira à prática de atividades físicas. Porque, com a atividade física, ela fica mais saudável; mais saudável, ela dá menos trabalho para as seguradoras. A gente tem que promover a prevenção, não só tratar de alguém doente.
Veja a entrevista completa com a atleta
Você já esteve em situações em que a diferença entre vitória e derrota se deu em questões de segundos, muito ligada à capacidade mental. Como transmitir essa garra que demonstrava em quadra numa palestra, e como adaptar isso a um setor voltado ao atendimento ao público?
Toda a mentalidade do atleta é uma mentalidade que pode ser copiada em qualquer segmento. Na família, na vida, na sua empresa. O que é isso? O atleta é disciplinado, se prepara muito, não desanima, busca desafios, é arrojado. Tudo isso você pode encaixar dentro da mentalidade de uma empresa: a maneira como se escolhe as pessoas que vão jogar do seu lado, onde você vai jogar. Tudo isso pode ser levado para a gestão da empresa.
Na rotina de jogos por clubes e pela seleção, é natural que tenha enfrentado jogadoras com quem tinha proximidade, ou disputado títulos contra pessoas consideradas amigas. Uma carreira de sucesso passa pela compreensão de que gente querida também se torna adversária, ou concorrente, em algum momento da vida?
As pessoas podem se tornar suas adversárias, mas não suas inimigas. A gente precisa ter adversários, para poder o tempo todo estar ligado no que está fazendo. Ninguém vive sozinho no mundo, há adversários em qualquer lugar. Dentro de casa, na empresa, na equipe. Nós somos adversários. Quando eu jogava, tinham várias querendo estar no meu lugar. E está tudo bem. Faz parte. Elas também querem jogar.
Carreiras desportivas ou tradicionais são marcadas por escolhas. Em 1996, apenas 5 meses depois de dar à luz, você escolheu jogar as Olimpíadas e ainda conquistou uma histórica prata em Atlanta. Hoje, o que você consegue tirar de lição daquele momento de escolhas tão sensíveis? É possível repassar esse episódio ao mundo empresarial?
A mulher, quando tem sua família, continua trabalhando. Eu quero passar, com isso, que tá tudo bem largar seus filhos em casa, conviver menos horas com eles, desde que você saiba dividir entre sua profissão e sua família. Naquele momento, eu fiz a escolha de direcionar as energias para as Olimpíadas, que iam durar um mês. Depois, voltei pra minha família. As crianças ficam bem também. A gente é que se dói com essas coisas. A vida é assim. O importante é viver profundamente o momento em que está junto da família. A gente tem que respeitar as escolhas do outro.