VITOR HUGO BATISTA E CHRISTIAN POLICENO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A morte de Oscar Schmidt aos 68 anos nesta sexta-feira (17) em São Paulo encerra uma trajetória que, além das quadras, foi marcada por uma longa e pública batalha contra um câncer no cérebro. Desde 2011, quando recebeu o diagnóstico, o ex-jogador conviveu com recidivas, tratamentos intensivos e até um episódio cardíaco que, segundo ele, foi o momento em que mais temeu morrer.
Oscar estava internado no Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. A causa da morte ainda não foi divulgada. Ele era casado com Maria Cristina, com quem teve dois filhos: Filipe e Stephanie. O ex-jogador era irmão do apresentador Tadeu Schmidt, do “Big Brother Brasil”, e tio do atleta do vôlei de praia Bruno Schmidt, medalha de ouro na Olimpíada do Rio, em 2016.
A história com o câncer começou de forma abrupta, durante uma viagem aos Estados Unidos. Em um episódio que ele mesmo descreveu como caótico, Oscar desmaiou enquanto estava com a família.
Exames de imagem revelaram um tumor de cerca de oito centímetros na superfície do cérebro. “Uma bola de softball”, nas palavras dele. Ele decidiu voltar ao Brasil para o tratamento.
Em 25 de maio de 2011, Oscar, então com 53 anos, retirou um nódulo em uma operação realizada no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O tumor era classificado como grau 2 -não benigno, mas também não o mais agressivo. Após o procedimento, ele chegou a retomar a rotina e afirmou estar curado.
“Esse tumor pegou o cara errado mesmo. Não vou deixar ele me matar”, disse em 2013.
Em 30 de abril de 2013, Oscar passou por uma nova cirurgia. Aos 55 anos, a lenda do basquete brasileiro retirou um tumor no cérebro, dando continuidade à luta contra o câncer. Na época, o neurocirurgião que o operou, Marcos de Queiroz Teles Gomes, afirmou que Oscar estava passando por sessões de radioterapia e que seus tumores eram malignos e agressivos.
Já em 2014, nos Estados Unidos, o Mão Santa relatou ter sofrido uma arritmia, em um episódio que não teve relação com o câncer. Em 2015, durante sabatina olímpica realizada na Folha de S. Paulo, ele disse que pensou que iria morrer.
“Dessa vez pensei que ia morrer. Minha respiração travou, vomitei muito, fui para o hospital e fizeram um procedimento em que ‘matam e ressuscitam'”, disse o ex-jogador ao jornal em novembro de 2015.
Na época, o maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos afirmou que tomava 12 remédios por dia e também já fazia quimioterapia mensalmente.
Nos anos seguintes, o ex-jogador passou a conviver com o câncer como uma condição crônica. Seguia com sessões mensais de quimioterapia.
Apesar da gravidade, ele insistia em manter uma vida ativa, com palestras, viagens e aparições públicas. Também dizia que a doença havia mudado sua forma de viver. “Estou vivendo, e muito bem”, disse em entrevista.
Durante o tratamento, Oscar também buscou alternativas complementares, sempre com o conhecimento dos médicos. Chegou a relatar visitas a médiuns e líderes espirituais. Ao mesmo tempo, mantinha uma postura crítica em relação a soluções milagrosas. “O tratamento bom é o meu médico”, dizia.
Em 2022, após mais de uma década de tratamento, Oscar tomou a decisão de interromper a quimioterapia. “Parei. Eu mesmo decidi parar”, disse em entrevista. Segundo ele, a experiência com a doença havia mudado sua relação com a morte.
“Morria de medo de morrer. Fechar o olho e não acordar mais. Isso era um terror. E, graças ao tumor, perdi esse medo.”
A partir daí, passou a priorizar o convívio com a família e uma rotina mais voltada à qualidade de vida.
“Não precisa ter pena de mim, porque eu não tenho pena de mim”, afirmou. “Estou doente e estou aproveitando a vida mais do que nunca.”