Isolado em um canto do campo do centro de treinamento Saturno, em Kratovo, a 40 km de Moscou, o técnico de Portugal Fernando Santos parecia pensativo, enquanto assiste ao aquecimento dos jogadores lusitanos.
Na roda de bobinho, um bem humorado e sempre competitivo Cristiano Ronaldo ameaça discutir com o zagueiro Pepe quando perde uma das rodadas. Na brincadeira séria, o jogador precisa, com rapidez, recuperar a bola antes do 10º toque de um dos companheiros. “O Cristiano (Ronaldo) é muito competitivo. Ele não gosta de perder nunca. Nem quando joga par ou ímpar”, brinca Fernando Santos.
Na véspera do mata-mata antecipado contra o “Irão”, como pronunciam os portugueses o nome do Irã, os portugueses viveram um clima de alegria e tensão. Uma A vitória hoje, às 15h, em Saransk, pode levá-los à primeira colocação do grupo. Uma derrota seria a volta para casa, prematura e diante de um patrício – e, por sinal, um grande conhecedor do futebol português e de Cristiano Ronaldo.

Jornal de Brasília
Carlos Queiroz, técnico do Irã, dirigiu Portugal na Copa de 2010, na África do Sul, e revelou uma série de portugueses, entre eles Luís Figo, Rui Costa e Vitor Baía.
Em seus trabalhos para a Federação Portuguesa de Futebol, Queiroz venceu o mundial Sub-19 em 1989 e o Sub-20 em 1991. Como técnico principal, passou por times dos Estados Unidos e um ano no Real Madrid, em 2003 e 2004. Foi assistente no Manchester United, quando o clube inglês ganhou a Liga dos Campeões em 2002/2003.
Ao norte do Canal da Mancha, em Old Trafford, Carlos Queiroz era considerado um pai por Ronaldo. Foi o atual treinador do Irã, então auxiliar de Alex Ferguson em Manchester, que ajudou a lapidar o craque, quando ele mudou de Portugal para a Inglaterra.
Hoje, a matemática que envolve a partida em Saransk é simples. Portugal, para não se preocupar com o resultado do jogo entre Espanha e Marrocos, também às 15h, se classifica com o empate ou vitória. Um triunfo simples do Irã o coloca nas oitavas de final do Mundial da Rússia. Os asiáticos podem ser até os primeiros colocados do Grupo B, se a Espanha não vencer Marrocos, em Kaliningrado.
Carlos Queiroz, nascido em Moçambique, mas radicado em Portugal desde o início da sua vida profissional, tem sido muito amistoso com a seleção de seu país. Antes mesmo de a competição começar, divulgou uma nota desejando boa sorte ao time de Portugal.
Sobre Cristiano Ronaldo, o técnico do Irã tem uma reflexão crítica em relação à participação do craque na Copa de 2010. Para Queiroz, Cristiano hoje é um jogador completamente diferente daquele que ele comandou na Copa do Mundo da África. “Aqui ele está em sua plenitude. Lá, não tive essa sorte. Temos dias melhores, mas outros piores”, afirmou o técnico português.
Há oito anos, a seleção lusa caiu nas oitavas por 1 x 0 para a Espanha. Logo depois daquela campanha, Carlos Queiroz disse que Cristiano Ronaldo havia sido capitão português cedo demais.
História
Caso Portugal seja eliminado hoje, Queiroz, além de fazer história com o Irã, equipe que nunca passou da fase de grupos em quatro participações, continuará sendo o único técnico português a ter classificado a própria seleção de Portugal para uma fase de mata-mata da Copa do Mundo.
É o sétimo mundial que Portugal participa. Em três vezes (1966, 2006 e 2010) passou da fase de grupos. Fora Carlos Queiroz na África do Sul há oito anos, conseguiram o mesmo feito os brasileiros Otto Glória, há 52 anos, e Scolari, em 2006, no Mundial da Alemanha.