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Futebol ETC
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Muito além de vencer o Haiti, a Seleção Brasileira luta para reconquistar o respeito

No fundo, o Brasil espera por um Milagre de Copa, uma metamorfose que eventualmente acontece em plena competição

Marcondes Brito

19/06/2026 5h34

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Reprodução

O Brasil volta a campo hoje. Mas não se engane: o verdadeiro desafio não é vencer o Haiti. Vencer o Haiti é mais do que uma obrigação; o torcedor quer e precisa ver uma vitória convincente, um placar elástico. A verdadeira missão que começa a se desenhar no horizonte da Seleção Brasileira é outra: dar início ao que chamamos de “milagre de copa”.

Esse milagre não se opera com uma vitória protocolar na fase de grupos. Ele só se consolidará se, a partir dos próximos desafios, o Brasil passar a jogar bola, a ser respeitado e, principalmente, a ser temido pelas potências mundiais — mesmo que, aos olhos da crítica, o time ainda pareça desajustado. É o milagre da metamorfose em plena competição.

Não seria a primeira vez. Em 1994, a Seleção Brasileira saiu do país sob uma chuva de desconfiança e críticas severas. O time de Carlos Alberto Parreira começou a Copa cheio de problemas e questionamentos. No entanto, a equipe se organizou taticamente no fogo do campeonato e encontrou sua identidade, carregada nos braços por um fenômeno genial chamado Romário. Ali nasceu um milagre técnico e anímico que terminou em tetracampeonato.

A história dos mundiais está cheia de seleções que operaram seus milagres ao desafiar a lógica. Vimos isso em 1990, quando a carismática seleção de Camarões, liderada pelo veterano Roger Milla, encantou o planeta ao chegar às quartas de final. Mais recentemente, em 2022, testemunhamos o feito histórico de Marrocos, que derrubou gigantes europeus como Espanha e Portugal para se tornar a primeira seleção africana a pisar em uma semifinal de Copa do Mundo. Foram equipes que compensaram as limitações com uma entrega e uma alma gigantescas.

Mas a moeda dos milagres também tem seu lado sombrio — aquele em que o “Davi” esmaga o “Golias” arrogante. O torcedor brasileiro jamais esquecerá o peso dramático do Maracanazo em 1950. Da mesma forma, o mundo do futebol desabou para a poderosa Itália em 1966, quando foi eliminada pela misteriosa Coreia do Norte, ou para a Argentina de Messi em 2022, chocada logo na estreia pela Arábia Saudita.

Para a atual Seleção Brasileira, que hoje vive sob o signo da desconfiança, o jogo de logo mais é o primeiro passo de uma caminhada mística. Que o time entre em campo sabendo que a camisa amarela já não ganha jogo por si só, mas que o espírito de sobrevivência e a fome de bola podem, sim, fazer nascer um novo milagre. Que comece hoje.

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