A Copa do Catar atraiu muitas notícias negativas desde o processo de licitação e durante toda a competição.
Contudo, dentre toda essa negatividade, veio felizmente um enredo bom.
E não estamos falando apenas dos ganhadores improváveis entre apostadores esportivos que investiram em “zebras” nunca antes vistas em sites de apostas do mundo todo, como no gamblingguy.com/br/, por exemplo.
Após vencer dois campeões da Europa – Portugal e Espanha – a seleção de futebol do Marrocos se tornou a primeira equipe nacional africana a chegar às semifinais da Copa do Mundo 2022.
O caminho marroquino até a final
Só de falar na localização do mundial já seria possível explicar um pouco o surpreendente progresso marroquino.
E há precedentes históricos para isso, viu?
Afinal, qual é o fã de futebol que não lembra da Copa de 2002, quando pela primeira vez o torneio foi realizado ao mesmo tempo em dois países diferentes (Japão e Coreia do Sul), e pela primeira vez também a competição foi realizada no continente asiático?
E foi exatamente nessa Copa quando um time asiático (Coreia do Sul) quebrou o duopólio europeu e americano.
E, coincidência ou não, assim como o Marrocos em 2022, a Coreia do Sul também estava em casa, no seu continente, quando isso aconteceu.
Doze anos atrás, uma outra seleção africana até poderia ter chegado às semifinais na primeira copa a ser realizada no continente africano, não fosse por um dos mais infames atos antidesportivos da história do mundial, que ocorreu (literalmente) nas mãos de Luis Suarez, do Uruguai.
No entanto, em 2022, para benefício do Marrocos, a copa foi disputada no mundo árabe pela primeira vez e, não por acaso, talvez, estamos a ver uma nação da região alcançar inéditos patamares.
Quando os aspectos geográficos podem significar mais do que imaginamos
Em 21 mundiais anteriores, só três times nacionais levantaram o troféu sem serem anfitriões ou campeões antes disso.
Um deles o fez em uma nação vizinha, no ano de 1954, que foi a Alemanha Ocidental.
Antes do ano de 2010, nenhum país europeu tinha vencido a competição fora da Europa e só uma nação não europeia tinha vencido na região.
Essa tendência é vista também em disputas continentais.
Os dois choques maiores do Campeonato Europeu foram no ano de 1992, com o sucesso da Dinamarca depois de não conseguir inicialmente se classificar; e no ano de 2004, com a conquista da Grécia.
Os dinamarqueses venceram em outro país escandinavo, e os gregos tiveram sucesso em outra nação mediterrânea.
É evidente que essas coincidências não são diretamente causais.
O Marrocos com certeza não chegou às finais só porque a Copa do Mundo 2022 foi realizada em outra nação árabe.
Como um complexo jogo de equipe, o futebol é uma das mais difíceis modalidades esportivas de se prever.
Ainda que em um clima agradável, cada pequena vantagem pode abalar o equilíbrio de uma partida de uma forma ou de outra.
Fazendo um paralelo com outros países
Olhando para dados históricos, o mais claro preditor de quais nações podem estar mais preparadas para um melhor desempenho é a latitude desses países comparada com a do anfitrião do mundial.
A melhor corrida do Paraguai, por exemplo, foi em 2010 na África do Sul, em semelhante latitude, e não em países sul-americanos, geograficamente mais próximos ao sul.
E 23 dos 39 países que chegaram à Copa do Mundo pelo menos seis vezes nunca melhoraram seu desempenho nos mundiais que ocorreram em locais mais próximos de suas latitudes natais.
E, com Doha a menos de 9° ao norte de Rabat, capital de Marrocos, apenas três outros países concorrentes estão mais perto da latitude do Catar.
Duas dessas nações obtiveram vitórias históricas na primeira fase de grupos da Copa do Mundo 2023: a Tunísia derrotando os campeões atuais e a Arábia Saudita vencendo a Argentina, grande vencedora do mundial.
O jogo do “mundo”?
Mesmo com seu enorme apelo global, o futebol tem sido historicamente inclinado para a Europa e as Américas, o que pode ter sufocado o progresso do jogo em outras regiões.
No entanto, isso parece estar mudando a cada dia que passa.
O futebol já não é mais o mesmo e parece estar abrindo as suas portas mais e mais para nações que, antigamente, seriam improváveis de vencer.
A mudança já chegou e Marrocos é um bom exemplo delas.
Agora é torcer para que, nas próximas copas, outras nações consigam quebrar paradigmas e mostrar o talento que têm para o mundo todo. Exatamente como Marrocos fez.