Há 32 anos, o futebol feminino começou a ganhar o seu espaço. Após o esporte sofrer com proibições, a Fifa mostrou que, sim, era possível dar um lugar a elas. A nona edição começa amanhã, na Austrália e Nova Zelândia, com um total de 32 seleções participantes, 20 a mais do que da primeira edição, realizada na China, em 1991. O primeiro jogo será às 4h, entre Nova Zelândia e Noruega, com transmissão pelo Fifa+ ou pela CazéTV, ambas na internet. Muita bola rolou desde então, mas uma coisa segue intacta: o poder dos Estados Unidos, que busca o seu pentacampeonato mundial.
Não é por acaso que elas são a potência no que eles chamam de soccer. Cerca de 70% das mulheres que praticam futebol pelo mundo estão nos Estados Unidos. Se pelo lado de cá, o futebol ainda conta com um machismo, “sendo coisa de menino”, por lá a história é diferente. Quando é esporte coletivo, pode se dizer que o futebol é o mais escolhido pelas mulheres, com direito a bolsas integrais em grandes universidades e bom salários e bônus.
E desde o ano passado, a federação de futebol dos EUA igualou as premiações entre homens e mulheres, após uma enorme campanha encabeçada por Megan Rapinoe, após seu discurso em comemoração do tetracampeonato mundial, há quatro anos. Algo justo, principalmente se levar em consideração o número de conquistas da Copa do Mundo e as seis medalhas olímpicas – sendo quatro ouros, uma prata e uma bronze.
Europa
Hoje, os Estados Unidos contam com a principal liga de futebol de clubes do Mundo. Mas os europeus não estão tão atrás. As ligas inglesas e francesas são referência nos últimos anos, assim como a espanhola.
Não descartando, também, os campeonatos dos países nórdicos, como Suécia e Noruega. Marta, por exemplo, por muitos anos jogou no Malmö, da Suécia, por ser uma das ligas que melhor remunerava as atletas. Não à toa, as suecas sempre estão nas fases mais agudas, tendo três terceiros lugares e um vice-campeonato. A Noruega, por sua vez, já obteve um dos títulos mundiais, em 1995 e dois quartos lugares, em 1999 e 2007.
A Liga dos Campeões da Europa também ganhou a sua força nos últimos anos, passando a ter direito de transmissão próprio para as competições femininas, o que começou tirar um pouco do poderio da liga estadunidense. A própria competição de seleções da UEFA também começou a ficar mais atrativa e competitiva. Por lá, a Alemanha é a grande potência, com oito troféus, perdendo a sua hegemonia nos últimos dois anos após os títulos de Holanda e Inglaterra.
Favoritas
Mas será que as europeias finalmente tirarão essa hegemonia dos Estados Unidos? Tendo como parâmetro os Jogos Olímpicos de Tóquio de 2021, em que, diferentemente do futebol masculino, não há qualquer limite de idade, é possível que as europeias consigam tirar o caneco dos EUA, ainda que essa seja uma árdua missão, tendo em vista o retrospecto recente das estadunidenses.
É bem verdade que os Jogos de 2021 não contaram com Espanha, França e Alemanha, grandes forças do continente. Tais seleções são apontadas como as grandes favoritas ao título deste ano, juntamente com a Inglaterra – que em Tóquio jogou com a bandeira da Grã Bretanha, mas caiu para a Austrália, nas quartas de final. As grandes surpresas daquela competição foram o Canadá e a própria seleção australiana – uma das anfitriãs desta edição.
Hoje, ao lado dos Estados Unidos, Espanha e Inglaterra – essa última a atual campeã europeia – são as grandes candidatas ao título. Um pouco atrás estão Alemanha e França, seguido da Austrália, Suécia e Holanda.
E o Brasil?
Entre os especialistas, o “país do futebol” é apenas a oitava força. E há um porquê. Além do Brasil ter caído no grupo da França, uma das fortes candidatas ao título, caso a equipe não fique na primeira colocação de seu grupo, poderá enfrentar a Alemanha já nas oitavas de final. As outras adversárias serão o Panamá e Jamaica. Ainda que o Brasil tenha vencido a Alemanha em seu penúltimo amistoso antes da Copa do Mundo, com uma vitória por 2 a 1, as germânicas entrariam como favoritas neste confronto. E mesmo que vença, ainda poderá ter pela frente Inglaterra, Canadá ou Austrália pelo caminho.
Por mais que o futebol brasileiro tenha crescido nos últimos anos, com uma liga sustentada pela CBF – hoje há três divisões nacionais –, há o temor de que tenha sido tarde demais. Com Marta já no fim da carreira e outras grandes figuras do esporte já envelhecidas, exemplos de Formiga e Cristianne, o país ficou muito tempo estagnado quando ao desenvolvimento do esporte. Mas nunca é tarde, principalmente com o alto interesse que o futebol feminino vem tendo nos últimos anos, influenciado justamente pelas transmissões em TV Aberta.
Por mais complicado que possa ser o caminho do Brasil até uma hipotética final, existe um fio de esperança para que a primeira estrela possa ser colocada acima do escudo da CBF. Essa, inclusive, será a primeira competição em que o país não jogará a Copa do Mundo com as cinco estrelas dos títulos do futebol masculino. “A gente vai conquistar nossa estrela, a gente vai carregar a estrela que a gente for conquistar, acho que é muito legal isso e a gente vai se sentir mais confortável com essa situação”, destacou a atacante Andressinha, no ensaio fotográfico realizado em 2020.
Grupos
Grupo A
Nova Zelândia
Noruega
Filipinas
Suíça
Grupo B
Austrália
Irlanda
Nigéria
Canadá
Grupo C
Espanha
Costa Rica
Zâmbia
Japão
Grupo D
Inglaterra
Haiti
Dinamarca
China
Grupo E
Estados Unidos
Vietnã
Holanda
Portugal
Grupo F
França
Jamaica
Brasil
Panamá
Grupo G
Suécia
África do Sul
Itália
Argentina
Grupo H
Alemanha
Marrocos
Colômbia
Coreia do Sul
Onde assistir?
TV Aberta
A Globo irá transmitir todos os jogos do Brasil e outros quatro jogos ao vivo.
TV Fechada
Dos 64 jogos do Mundial, o SporTV irá transmitir 23 partidas.
Internet
O ge.globo e o GloboPlay, assim como o SporTV, transmitirão 23 partidas ao longo da competição. Já a CazéTV (YouTube) e o Fifa+ irão passar todos os 64 jogos na íntegra.
Horário dos Jogos
Boa parte das partidas será durante a madrugada, começando entre 2h e 8h. Cinco partidas serão disputadas entre 21h e 23h30, sempre no horário de Brasília. A Austrália está 13 horas à frente do fuso horário brasileiro, enquanto que a Nova Zelândia está a 15 horas de diferença.
Jogos do Brasil
24/07 (seg.) – 8h – Brasil x Panamá
29/07 (sáb.) – 7h – Brasil x Panamá
02/08 (qua.) – 7h – Brasil x Jamaica