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Conselho aprova impeachment e afasta Julio Casares da presidência do São Paulo

A queda de Casares é consequência do derretimento de seu capital político, provocado por uma série de escândalos que abalaram a gestão.

Redação Jornal de Brasília

16/01/2026 23h04

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Foto: Reprodução / Instagram (@juliocasares_sp)

LUCIANO TRINDADE
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou nesta sexta-feira (16) o afastamento de Julio Casares da presidência do clube. Na votação do impeachment, 188 conselheiros votaram contra sua permanência no cargo. Estiveram presentes na reunião ao todo 223.


A queda de Casares é consequência do derretimento de seu capital político, provocado por uma série de escândalos que abalaram a gestão. O pedido de destituição, protocolado em 23 de dezembro, tem como base a suspeita de uso irregular de camarotes do Morumbis durante shows.


Em dezembro, o site ge.com divulgou áudios que indicariam um suposto esquema de venda clandestina de ingressos de um camarote reservado à presidência em dias de eventos musicais no estádio.


Após a divulgação do material, Mara Casares, então diretora feminina, cultural e de eventos e ex-esposa do presidente, e Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto do futebol de base, se afastaram de seus cargos.


Durante a sessão do Conselho, faixas chamando Mara de “ratazana” e Douglas de “ladrão” foram estendidas nas ruas em frente ao Morumbis. Torcedores organizados também levaram um carro de som para conduzir os protestos, que teve ainda xingamentos contra Casares e pressão para que a reunião fosse realizada. “Se não votar, o pau vai quebrar”, eles gritavam.


Nas últimas semanas, enquanto o caso do camarote ganhava repercussão, a Polícia Civil já mantinha um inquérito aberto, com frentes de investigação distintas: uma sobre supostas irregularidades no departamento de futebol e outra relacionada às contas bancárias do São Paulo Futebol Clube e de Julio Casares.


A Polícia Civil apura, por exemplo, o recebimento de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro nas contas pessoais do dirigente. Outra linha de investigação tenta esclarecer a realização de 35 saques nas contas do clube entre 2021 e 2025, que somam R$ 11 milhões.


Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam Casares, afirmaram que as movimentações financeiras apontadas em relatório do Coaf “têm origem lícita e legítima, compatível com a evolução da capacidade financeira” do dirigente.


Segundo a defesa, antes de assumir a presidência do São Paulo, Casares ocupou cargos de alta direção na iniciativa privada, com remuneração elevada. A origem dos recursos, afirmam os advogados, será esclarecida ao longo das investigações, com a apresentação de documentos e declarações fiscais.


Com o afastamento imediato do mandatário, o vice-presidente Harry Massis Junior, 80, assume o cargo de forma interina. Empresário, ele integrou a gestão de Casares no primeiro triênio, entre 2021 e 2023, e também a chapa reeleita para o segundo mandato, entre 2024 e 2026.


Massis faz parte do grupo político Vanguarda, que recentemente deixou a coalizão de apoio a Casares, e votou a favor do impeachment.


Agora, o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, deverá convocar uma Assembleia Geral em até 30 dias para que os sócios do clube também votem o afastamento.


A reunião desta sexta-feira ocorreu de forma híbrida. Na última segunda-feira (12), a 3ª Vara Cível do Butantã concedeu liminar autorizando a realização do encontro de maneira presencial e online. A decisão também estabeleceu que seriam necessários 170 votos para a destituição.


A juíza responsável não identificou conflito entre os artigos 58 e 112 do Estatuto Social do São Paulo, como havia sido questionado pelo presidente do Conselho. Segundo a magistrada, era exigido quórum mínimo de 75% (191 conselheiros) para a realização da reunião, mas apenas dois terços dos votos favoráveis para o afastamento do presidente.


Atualmente, o Conselho Deliberativo do São Paulo é composto por 255 membros, sendo 254 aptos a votar. A votação ocorreu por meio de voto secreto.

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