Gabriel Lima
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Com a queda do veto que proibia a venda do mando de campo em jogos do Campeonato Brasileiro, uma discussão veio à tona: a qualidade técnica e os resultados seriam favoráveis aos times visitantes e prejudicariam os mandantes. Mas um levantamento feito pelo Torcida mostra que não é bem assim. Em 49 confrontos realizados em um estado diferente do clube que negociou a partida, nos Nacionais de 2014, 2015 e 2016, somente em 17 oportunidades (34%) o time que vendeu o mando de campo saiu derrotado. Houve ainda oito empates e 24 vitórias.
Baseado nas informações disponibilizadas no site da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o estádio Mané Garrincha é o preferido dos mandantes, com 17 jogos. Na sequência vem a Arena Pantanal (9), em Cuiabá, no Mato Grosso, seguido do estádio Kléber Andrade, em Cariacica, no Espírito Santo, com oito.
Entre os clubes que venderam seus jogos, os problemas de gestão do histórico estádio do Maracanã fizeram com que os cariocas dominassem essa prática: 36 partidas realizadas fora do Rio de Janeiro. O Flamengo é o líder absoluto, com 18, seguido por Botafogo (10), por Fluminense (6) e por Vasco (2).
Os times paulistas vêm logo depois, com cinco partidas fora de São Paulo: Santos (3), Corinthians (1) e Ponte Preta (1). Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG jogaram, uma vez cada, longe de Minas Gerais. O Goiás mandou duas partidas fora de Goiânia e do Serra Dourada, enquanto Santa Cruz, Atlético-PR e Figueirense saíram de seus estados uma vez cada.
O secretário-adjunto de Turismo do Distrito Federal, Jaime Recena, comemorou a possibilidade de Brasília e do estádio Mané Garrincha voltar ao circuito do Campeonato Brasileiro. “No ano passado, a gente batalhou bastante para que esse veto fosse revertido, mas não deu. Eu acho que essa decisão é democrática e vai permitir que os torcedores do país inteiro assistam aos jogos de seu time mais de perto”, argumenta. “A decisão foi acertada e vai contribuir para um ótimo Campeonato Brasileiro em 2018”, completa.
Namoro
Logo após o veto ter sido derrubado pelos clubes no Conselho Técnico da CBF, na última segunda-feira, os responsáveis pelo Mané Garrincha já começaram a se movimentar em busca de jogos aqui para a capital. Jaime Recena, sem entrar em detalhes, admite que existe um “namoro” do Flamengo com Brasília. “Antes da proibição, o Flamengo já tinha até encaminhado uma quantidade significativa de jogos aqui na cidade. Já tivemos a oportunidade de conversar, de forma informal, com eles. Não tem nada formalizado, mas é claro que eles (Flamengo) tem o desejo de voltar a jogar aqui em Brasília”, explica o secretário-adjunto.
Ainda assim, segundo Jaime Recena, a expectativa é que a cidade receba outras equipes que já jogaram aqui em anos anteriores. “Temos o Fluminense, o Botafogo, o Atlético-MG, o São Paulo… Nós esperamos que essas equipes voltem a se interessar pelo Mané Garrincha para que a gente movimente bastante a nossa arena”, explica.
Saiba mais
A estratégia para convencer os clubes a jogar em Brasília já está traçada pelo GDF: a negociação da taxa de ocupação, dinheiro que o governo recebe por cada jogo disputado no Mané Garrincha. “A gente sempre procura fazer uma taxa atraente, mas sempre pensando também no lucro do Estado. Além disso, existe o fator de concorrência, porque nós não somos a única praça que busca receber jogos do Campeonato Brasileiro”, lembra Jaime Recena.
Os times só poderão atuar cinco vezes fora de seu estado de origem; o visitante precisa concordar com isso e as trocas de local de jogo estão proibidas nas últimas cinco rodadas.