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Política & Poder

Câmara aprova cadastro nacional de entidades esportivas condenadas por racismo

Entidades punidas por atos racistas ficarão impedidas de receber recursos públicos, visando combater a discriminação no esporte.

Redação Jornal de Brasília

24/03/2026 18h46

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Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados Alice Portugal, relatora do projeto

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que institui o cadastro nacional de entidades de prática esportiva condenadas por racismo, conhecido como ‘lista suja do racismo no esporte’. A proposta, de autoria do deputado Bandeira de Mello (PSB-RJ), segue agora para análise no Senado.

De acordo com o texto aprovado, as entidades inscritas no cadastro não poderão celebrar contratos com o poder público, nem receber patrocínios, subvenções ou benefícios fiscais, incluindo recursos da loteria Timemania. O projeto foi aprovado com substitutivo da Comissão de Esporte, elaborado pela deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), e relatado em Plenário pela deputada Alice Portugal (PCdoB-BA).

A relatora destacou que o mecanismo é antirracista e alinhado aos princípios de dignidade humana e igualdade da Constituição Federal. ‘O projeto promove a igualdade e combate a discriminação’, afirmou Portugal, citando como exemplo as críticas racistas sofridas pelo jogador Vini Jr., do Real Madrid. Ela enfatizou que a inclusão na lista servirá como elemento educativo para campanhas de prevenção ao racismo nos clubes.

O cadastro abrange clubes condenados por atos racistas praticados por torcedores, atletas, membros de comissão técnica ou dirigentes em eventos esportivos. A inclusão ocorre apenas após decisão condenatória transitada em julgado, seja em processo judicial ou da Justiça Desportiva.

A inscrição tem duração de dois anos, com exclusão automática ao fim desse período ou antecipada se o clube comprovar ações específicas de combate ao racismo, conforme regulamento. Em caso de reincidência dentro dos dois anos, o prazo se reinicia por mais dois anos a partir do fim do período inicial.

O gerenciamento do cadastro ficará a cargo da autoridade federal responsável pela área do esporte, atualmente o Ministério do Esporte, com possibilidade de convênios com outros órgãos. Órgãos da Justiça e da Justiça Desportiva devem colaborar fornecendo informações para atualizar o sistema, que também divulgará dados sobre atos de racismo em eventos esportivos no país.

Entre os objetivos do projeto estão promover a cultura de paz no esporte, coibir condutas racistas, induzir organizações a prevenir tais atos entre torcedores, incentivar ações educativas e posicionar o Brasil como referência no enfrentamento ao racismo no esporte.

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