Após a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, uma pergunta ecoou das redes sociais para os programas esportivos, das mesas de bar para os grupos de WhatsApp. Uma pergunta simples, direta e difícil de responder: cadê o Endrick, Dom Carletto?
Não se trata de transformar um garoto de 19 anos em salvador da pátria. O futebol brasileiro já cometeu esse erro outras vezes. Mas também não dá para ignorar o óbvio. Quando um time produz pouco, cria menos ainda e parece incapaz de romper uma defesa organizada, é natural que a torcida peça justamente aquele jogador que tem como principal característica mudar jogos.
O curioso é que Carlo Ancelotti parece estar travando uma batalha particular contra os sinais que o próprio campo apresenta. Desde os amistosos preparatórios, a Seleção demonstrava dificuldades de criação, lentidão na circulação da bola e uma previsibilidade preocupante. Ainda assim, o treinador italiano insistiu praticamente na mesma estrutura para a estreia. Ancelotti tem currículo suficiente para dispensar apresentações. É um dos maiores vencedores da história do futebol. Mas até os gênios podem se apaixonar por ideias que já deixaram de funcionar.
Casemiro simboliza bem esse dilema. A relação de confiança construída nos tempos de Real Madrid é compreensível. O problema é que Copas do Mundo não são disputadas pela memória. São disputadas pelo que cada jogador consegue produzir hoje. E o volante está longe da versão que dominava o meio-campo europeu alguns anos atrás.
Outros nomes também parecem carregar uma estranha transformação quando vestem a camisa amarela. Raphinha é um fenômeno no Barcelona. Na Seleção, desaparece com frequência preocupante. Lucas Paquetá é outro – esse não merecia nem estar na Copa.
É justamente nesse cenário que a ausência de Endrick se torna ainda mais difícil de compreender. Quando faltava explosão, ele ficou no banco. Quando faltava profundidade, ele ficou no banco. Quando faltava alguém capaz de decidir uma partida em um lance isolado, ele continuou no banco.
Talvez exista uma explicação técnica. Talvez Ancelotti enxergue algo que o restante do mundo não vê. Mas futebol também é percepção. Para Brasília, a discussão ganha um ingrediente adicional. Endrick é um menino que cresceu nos gramados de Taguatinga e que carrega uma conexão afetiva com a cidade.
Ninguém está pedindo que ele seja titular absoluto por decreto. A pergunta é bem mais simples. Se o jogo pedia velocidade, ousadia e capacidade de improviso, por que ele não entrou?
A Copa está apenas começando. Ainda há tempo para correções. Mas, depois da estreia, a pergunta continua sem resposta.
Cadê o Endrick, Dom Carletto?
