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Torcida

Bastidores do NFL: torcedores brasileiros explicam como foram conquistados pelo esporte gringo

Para muitos torcedores, a relação com o futebol americano começou anos antes, em frente à televisão, diante de um videogame, por influência de amigos ou familiares e até mesmo durante o intervalo de um Super Bowl

Agência UniCeub

30/09/2026 9h43

nfl

Foto: Tariq Marie Alves

Por Tariq Marie Alves, Agência de Notícias CEUB

No Maracanã, o futebol americano dividiu espaço com uma das maiores tradições esportivas do Brasil.

No dia 27 de setembro, Baltimore Ravens e Dallas Cowboys se enfrentaram pela terceira semana da temporada da NFL, no primeiro jogo da liga realizado no estádio carioca. A partida terminou com vitória dos Ravens por 34 a 31, na presença de 72.792 torcedores.

Para quem esteve nas arquibancadas, aquele domingo não começou no momento em que a bola foi chutada.

Para muitos torcedores, a relação com o futebol americano começou anos antes, em frente à televisão, diante de um videogame, por influência de amigos ou familiares e até mesmo durante o intervalo de um Super Bowl.

As histórias são diferentes, mas têm algo em comum: o esporte que nasceu e se consolidou nos Estados Unidos passou a ocupar um espaço cada vez maior na rotina de brasileiros e sul americanos.

Da televisão para a arquibancada

Gustavo Mendes, 48 anos, morador do Rio de Janeiro, começou a acompanhar o futebol americano ainda na década de 80. Segundo ele, as transmissões pela televisão foram sua porta de entrada para o esporte. O interesse cresceu ainda mais com o videogame Joe Montana Sports Talk Football.

Foi também nesse período que Gustavo escolheu seu time. Durante a época em que acompanhava Joe Montana, passou a torcer pelo San Francisco 49ers. Décadas depois, a paixão continuou presente e chegou à família.

Gustavo foi ao jogo no Maracanã acompanhado dos filhos, que também se tornaram torcedores dos 49ers. A relação entre pai e filhos não ficou restrita à televisão. Ele já levou os filhos para assistir a partidas de futebol americano e também teve experiências fora do Brasil.

Nos Estados Unidos, Gustavo assistiu a um jogo do Tampa Bay Buccaneers e também acompanhou uma partida de futebol americano universitário. A oportunidade de ver os 49ers pessoalmente, ainda não aconteceu.

A influência familiar também aparece na história de Gabriel Mendes, 17 anos. Ele começou a acompanhar o esporte desde criança por influência do pai. Ao assistir aos jogos, foi aprendendo as regras e aumentando seu interesse.

Gabriel chegou a praticar futebol americano, mas não avançou. Mesmo assim, a relação com o esporte permaneceu, agora pode dividir essa experiência com o pai nas arquibancadas do Maracanã.

Quando um esporte estrangeiro vira parte da rotina

Para outros, o caminho até a NFL passou por outras modalidades. É o caso de Francisco, 37 anos, argentino. Ele começou a acompanhar o futebol americano por causa das viagens que fez aos Estados Unidos.

O contato com o esporte fez com que ele buscasse entender melhor as regras e o funcionamento da modalidade. Um jogador em especial ajudou a despertar seu interesse: Patrick Mahomes.

A experiência anterior com o esporte também facilitou a aproximação: “Eu joguei rugby na Argentina quando era mais novo. Então já tinha algumas familiaridades com o futebol americano. Sou apaixonado por esportes de maneira geral, e esse é um esporte que me chamou bastante atenção.”

A trajetória de Lucas Alvadia Machado também começou com outro esporte: “Para ser honesto, sou muito fã de NBA e, no início dos anos de 2000, sou advento do Kobe e Shaq. E aí logo depois eu migrei para NFL, com inclusive com o Baltimore, quando o Ray Lewis ganhou o primeiro título de Baltimore.” Disse o fã.

Depois se aproximou do Green Bay Packers por causa de Aaron Rodgers. Atualmente, diz que Patrick Mahomes também chama sua atenção. Lucas não se considera torcedor de uma única franquia. Sua relação com a NFL está mais ligada aos jogadores.

Ele também destaca a importância das transmissões esportivas para a popularização dos esportes americanos no Brasil. Para Lucas, nomes como Paulo Antunes (ESPN) e Everaldo Marques agora na GE TV tiveram participação nesse processo.

No caso de Cristina, 24 anos, de Recife (PE), a porta de entrada foi ainda mais diferente: “Comecei a acompanhar por conta do show do intervalo do Super Bowl. E aí acabei assistindo o primeiro tempo esperando começar o show e comecei a gostar e tudo e no final virou uma paixão.”

Tom Brady também teve influência nesse processo. Além de ser o jogador mais vitorioso da história da NFL com 7 titulos, Cristina já conhecia o jogador pela relação dele com a modelo brasileira Gisele Bündchen.

A paixão pelo esporte também encontrou espaço fora da NFL. Moradora de Recife, Cristina já foi a partidas do time local: Recife Mariners.

Do sofá para o campo

Eduardo Caibal, 31 anos, morador de Curitiba (PR), mostra outro caminho possível para quem se aproxima da modalidade: deixar de ser apenas espectador e entrar em campo.

“Comecei a acompanhar o futebol americano no Super Bowl, onde assisti o Tom Brady, na temporada de 2016. Em 2017, eu comecei a jogar futebol americano, jogava de Running Back, iniciei minha carreira no Moon Rollers, fiquei cinco anos jogando lá e então joguei no Paraná Guardians Saints. Mas devido a uma lesão encerrei a carreira precocemente, mas acompanho o futebol americano até hoje.”

A prática também aparece na história de Richard, 40 anos. Ele começou a acompanhar a NFL em 2014 por influência de um amigo que torcia para o Pittsburgh Steelers.

Antes mesmo disso, Richard já tinha contato com o futebol americano por meio dos videogames. Ele jogava Madden no PlayStation 1 e 2. Depois do incentivo do amigo, buscou entender melhor as regras e a liga e escolheu o torcer para o Atlanta Falcons.

Richard já jogou flag football e mantém uma bola de futebol americano em casa para brincar. Sua paixão também se transformou em comunidade. Ele mantém, junto de dois amigos, um podcast, um grupo e um canal no Instagram dedicado aos torcedores do Falcons no Brasil.

A paixão também se aprende

Romeu Rocha, 28 anos, não tinha uma relação antiga com o futebol americano. Seu interesse começou de maneira casual, quando estava na casa de outra pessoa e assistiu a uma partida do Denver Broncos.

“Estava vendo um jogo e fiquei impactado por aquilo ali. Depois de um ano, eu comecei a acompanhar e a fisicalidade, o pensamento estratégico são os maiores atrativos. Porque quando você é ignorante do esporte, você acha que é muita porrada. Mas quando você começar a prestar mais atenção, vê que é muita estratégia.” disse Romeu. Jogadores como Tom Brady e Aaron Rodgers também contribuíram para esse interesse.

A entrada de Denifer, também de 28 anos, no universo da NFL aconteceu por um caminho ainda mais próximo: o relacionamento.

Ela conta que não sabia praticamente nada sobre futebol americano antes de conhecer a paixão do marido pelo esporte. Não conhecia as regras, os jogadores ou sequer entendia os passes.

Aos poucos, passou a acompanhar as partidas com Romeu. O que começou por influência dele virou interesse próprio.

“Hoje em dia, eu já entendo da estratégia, acho legal, acho engraçado, divertido. A gente assiste segunda-feira, quinta-feira, todo dia que tem.” Disse.

Uma torcida que também nasce no Brasil

Caroline, 27 anos, começou a acompanhar o futebol americano, por conta dos amigos: “Eu comecei a acompanhar o esporte no ensino médio, quando conheci uns amigos que jogavam. Não fazia ideia que tinham times aqui no Rio de Janeiro. Aí assisti e realmente me apaixonei.”

Mesmo com o desafio dos horários das partidas, continuou acompanhando sempre que podia. Para ela, a experiência de acompanhar uma partida de futebol americano também está relacionada ao ambiente criado pelos torcedores e compara a energia das arquibancadas à vivida no futebol brasileiro.

Uma arquibancada formada por histórias diferentes

As trajetórias de Gustavo, Gabriel, Francisco, Romeu, Denifer, Richard, Caroline, Lucas, Eduardo e Cristina começaram em momentos e lugares diferentes.

Um pai apresentou o esporte ao filho. Um videogame despertou a curiosidade. Um amigo apresentou uma nova modalidade. Uma viagem aos Estados Unidos aproximou um argentino da NFL. Um show de intervalo levou uma recifense a assistir ao primeiro tempo de um Super Bowl. Uma lesão encerrou a carreira de um jogador, mas não sua paixão.

Há também quem tenha chegado pela NBA, quem tenha conhecido o esporte por causa do marido e quem tenha descoberto que existiam equipes brasileiras depois de fazer amizade com quem já praticava a modalidade.

No fim, as histórias mostram que não existe uma única porta de entrada para o futebol americano. A relação com a NFL pode nascer de um jogador, de uma equipe, de uma transmissão, de um videogame ou simplesmente de uma oportunidade de assistir a uma partida.

No Maracanã, essas trajetórias se encontraram. O estádio recebeu pela primeira vez uma partida da NFL e viu Baltimore Ravens e Dallas Cowboys protagonizarem um jogo disputado, com um field goal de Tyler Loop no último segundo para garantir a vitória do Ravens por 34 a 31.

Mas, para os torcedores que chegaram até ali, aquele domingo representava algo maior do que uma partida. Era o resultado de anos acompanhando jogos de madrugada, escolhendo times, aprendendo regras, jogando videogame, entrando em campo e construindo comunidades em torno de um esporte que, pouco a pouco, deixou de ser apenas americano para também fazer parte das histórias de quem vive no Brasil.

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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