Matheus Garzon
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Cerca de 180 crianças começam a treinar no CBF Camp, a escola de futebol da seleção brasileira. Até a próxima sexta, meninas e meninos entre 5 e 17 anos irão treinar com técnicos credenciados pela entidade máxima do futebol brasileiro para desenvolver a capacidade desses jovens nos mais variados aspectos do jogo.
A iniciativa ainda é considerada um projeto piloto e estaciona em Brasília depois de passar por outras quatro cidades do Brasil. Na próxima semana, quem recebe a visita é Goiânia. A abertura foi realizada nesta segunda-feira (23) no Mané Garrincha. A partir de amanhã, tudo será feito no centro de treinamento do Brasiliense.
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Alexandre Fidalgo, 43, é diretor-executivo do camp e conta que Brasília foi incluída nas cidades escolhidas porque há qualidade por aqui. “O DF sempre foi considerado um celeiro. Infelizmente, a região acaba perdendo muitos jogadores para estados vizinhos.”, lamenta. Alexandre, no entanto, diz que o intuito da clínica passa apenas pelos jogadores e que não tem a ver com os clubes. “Estamos trabalhando aqui é no desenvolvimento de um atleta”.
- Foto: Kléber Lima/Jornal de Brasília
- Foto: Kléber Lima/Jornal de Brasília
- Foto: Kléber Lima/Jornal de Brasília
- Foto: Kléber Lima/Jornal de Brasília
Por mais identidade
As grandes preocupações da CBF são a chamada “europeização” do futebol brasileiro e a falta de identidade que as crianças têm demonstrado com clubes nacionais. Fausto Dias, 36, coordenador técnico do evento, diz que essa é uma oportunidade para fazer a nova geração pensar menos em Real Madrid ou Barcelona. “Nosso futebol acabou sendo colonizado. Aqui, damos referências brasileiras para ensinar um drible, por exemplo. Elástico é do Ronaldinho, pedalada é do Neymar, Robinho…”, conta.
Há três anos, Fausto dá esses treinamentos para crianças. Ele conta que foram divididas quatro estações de treinamento. “Uma chama Ginga, para trabalhar o drible; tem o Joga Bonito, para incentivar o passe além do peito do pé; o Artilheiro para treinar a finalização e o específico para goleiros que é o Paredão.”, enumera.
Experiência
Outro que faz parte da organização do evento é André Falcone, coordenador de operações. Ele já trabalha com camps desse tipo desde 2013 pelo Real Madrid. Ele pontua que essas oportunidades vão muito além dos fundamentos básicos do futebol. “Não é só a clínica, é acrescentar valores às crianças.”
O valor do ingresso era de R$990,00 e, dos 180 inscritos, 60 vieram de programas sociais. André reconhece que o preço impediu maior procura, mas lembra que há toda uma estrutura por trás que precisa ser custeada e a tendência é o preço reduzir para as próximas vezes. “Se esta edição for um sucesso, podemos buscar mais patrocinadores para aliar a marca a nós e reduzir o ingresso para as próximas vezes.”, espera.
Opinião do penta
O zagueiro Lúcio, campeão do mundo em 2002 e atualmente no Brasiliense, admite que nos últimos anos o futebol brasileiro perdeu um pouco de espaço, mas acha que a seleção ainda consegue competir com os grandes clubes europeus. “O prestígio que o Brasil tem é difícil de ultrapassar. Ações como essa com as crianças são importantes para que continue essa paixão. Eu acredito que essa paixão, a gente nunca vai perder.”, opina.



