O capitão da Argentina é Lionel Messi, de 31 anos, mas o líder de fato é Javier Mascherano, de 34. No auge da crise após a derrota contra a Croácia (3 x 0), foi convocada reunião do elenco com dirigentes e o técnico Jorge Sampaoli. Não foi Messi quem falou pelos jogadores. Foi Mascherano. Se o camisa 10 parece carregar o peso do mundo nos ombros, o volante é o mais desesperado para evitar a eliminação da seleção hoje, às 15h, contra a Nigéria, em São Petersburgo.
Há sempre o discurso de que Messi lidera pelo exemplo. Quem comanda a Argentina em campo, de fato, é Mascherano. “Sejamos otimistas. Vamos nos agarrar ao que fizemos no passado. Somos os atuais vice-campeões do mundo e temos de mostrar isso. Vou crer neste grupo até o último dia”, disse o volante.
Após empatar em 1 x 1 com a Islândia e perder para a Croácia, a Argentina precisa primeiro vencer a Nigéria. Mas, para se classificar em segundo no grupo D, torcerá para a Islândia não passar pelos croatas, também hoje. Se isso acontecer, a decisão da vaga será nos critérios de desempate. O primeiro deles é o saldo de gols.
Messi não tem problema com a liderança de Mascherano, que era o capitão até Alejandro Sabella chegar ao cargo de técnico, em 2011.
A primeira coisa que fez foi viajar a Barcelona para conversar com o volante. Sondou-o sobre a possibilidade de abrir mão da braçadeira em favor de Messi, que nunca a havia pedido. A ideia era fazer o craque assumir um papel de protagonista ainda maior.

Jornal de Brasília
Os dois foram companheiros no Barcelona de 2010 a 2018. O volante foi contratado por recomendação de Messi, apesar da resistência inicial de Pep Guardiola.
Deixar a seleção é o final de um ciclo para qualquer um. Mas é difícil achar jogador que tenha ligação com a camisa nacional como Mascherano, que saiu de um dos principais clubes do planeta e aceitou ir jogar no incipiente futebol chinês porque teria a chance de atuar como volante.
No Camp Nou, era quase sempre utilizado na zaga. Ele desejava provar que poderia ser escalado no meio-campo no Mundial da Rússia. Só conseguiu porque o amigo Messi e o pai do atacante, Jorge, fizeram lobby pelo cabeça de área. Jorge Sampaoli pensou em não incluí-lo na lista de 23 selecionados. Cedeu aos pedidos.
Diálogo
No último treino, Mascherano se sentou ao lado de Sampaoli e conversaram por alguns minutos. O volante apontou para um pedaço de papel que estava na mão do treinador e pareceu sinalizar posicionamentos e movimentações.
Ele foi um dos líderes do pedido (atendido) para que a equipe atue contra a Nigéria com uma linha de quatro na defesa. Diante da Croácia, eram três zagueiros, sendo que um deles (Tagliafico) é lateral de ofício.
“Em uma reunião como a que tivemos na sexta, falamos de futebol porque, se as coisas vão bem, todos ganham. Temos esperança de que esta experiência não termine na terça-feira”, completou.
É a frase de quem tomou a frente do gabinete de crise implantado pela AFA (Associação de Futebol Argentino) para controlar o tsunami de problemas e boatos que tomaram conta da seleção. É o mesmo volante que antes da viagem à Rússia disse que se sentia um soldado que ia para a guerra disposto a morrer. “Se esse papel de liderança é importante para equipe, eu fico feliz com isso”, disse Mascherano, pronto para classificar a Argentina e evitar o vexame da eliminação na fase de grupos.
Saiba Mais
A Nigéria precisa vencer a Argentina para se classificar às oitavas de final da Copa do Mundo sem depender de outros resultados. E a admiração por Lionel Messi não é uma exclusividade dos argentinos e dos torcedores do Barcelona.
No time africano, o camisa 10 também possui fãs, como o defensor Brian Idowu. Mas o jogador afirmou que a idolatria ficará de lado no confronto de hoje. “Esperamos que seja a última partida de Messi. Por mais que gostemos dele como jogador, nossa única opção é ganhar”, afirmou em entrevista coletiva.