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JBr News #188 – No Rio, um importante laboratório político

Um dos hits mais tocados nas redes sociais, “Plutão” já faz parte do time de virais que todo mundo gosta. A música conta a história de um garoto que se apaixona e então sua vida se transforma completamente. O trecho “E com o passar dos anos olha o que a gente fez, eu era pequenininho, tipo plutão plutãozinho…” já foi reproduzido centenas de milhares de vezes nos tik toks e instagrams da vida.

Em entrevista ao Conexão JBr, Sandro, que é a voz por trás do sucesso contou um pouco de como nasceu a faixa “Plutão” e também o significado de “VMZ”. Ficou curioso? Então confere ai a entrevista que tá bem bacana.

Conexão JBr – Entrevista com VMZ

Na avaliação de alguns generais do Alto Comando, a decisão tomada pelo comandante do Exército, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, de não punir o general Eduardo Pazuello não se deu porque o Exército estaria fechado com o projeto do presidente Jair Bolsonaro e pronto para seguir com ele para o que der e vier. A decisão se deu mais por receio. Se deu mais por medo.

Na viagem que fez acompanhado de Paulo Sérgio para inaugurar uma ponte de madeira de 20 metros que já existia e estava em uso, Bolsonaro deixou claro para o comandante do Exército que uma eventual punição de Pazuello seria um problema grande. Porque ele, Bolsonaro, como comandante que é das Forças Armadas, conforme a Constituição, não aceitaria a punição e poderia até revogá-la. Além disso, dentro das tropas da militância bolsonarista, trataria de transformar Pazuello em vítima, em mártir do seu movimento.

Eis aí o ponto central. O episódio acrescentaria mais gasolina na fogueira que Bolsonaro cuida de manter meticulosamente acesa desde que começou a amadurecer como solução para quem estava insatisfeito com os governos petistas e transformou essa insatisfação em manifestações de protesto desde a Copa das Confederações em 2013. O atual presidente começou desde aí a arregimentar um grupo que, ao longo do tempo, parece disposto a tudo para defendê-lo e chamá-lo de mito. O “meu exército” do qual Bolsonaro fala o tempo todo é esse. Não é o Exército formal. Muito menos são os seus generais.

Um desses generais, por exemplo, uma vez confidenciou que o ex-comandante do Exército no governo Michel Temer, general Villas Boas, não votou em Bolsonaro no primeiro turno. Votou no segundo, por não querer a opção contrária, Fernando Haddad, do PT. Como Villas Boas, boa parte desses generais foi em direção de Bolsonaro por imaginar que as Forças Armadas poderiam com ele obter uma redenção, desde o ostracismo em que ficaram depois da redemocratização do país.

Apostaram na possibilidade de controlar a imensa vocação que Bolsonaro tem para a confusão, para a entropia, para o estímulo à falta de disciplina e ao desprezo à hierarquia. Não conseguiram.
Bolsonaro tornou-se alguém conhecido e começou a sua carreira com um ato de insubordinação, que lhe valeu uma prisão disciplinar, que negou agora a Pazuello. Ele escreveu um artigo que foi publicado na revista Veja reclamando da remuneração dos soldados. Desde então, sua principal base política são os soldados de baixa patente e os policiais militares. Sua base nunca foi a alta oficialidade.

Parte do “exército” de Bolsonaro são, então, seus militantes dispostos a tudo. Mas a outra parte, muito mais letal e perigosa, o seu braço armado, são justamente esses militares de baixa patente e os policiais militares. Nas manifestações em Recife, há duas semanas, é muito difícil acreditar que os PMs erraram duas vezes quando acertaram os olhos de dois manifestantes. Ninguém atira no olho de alguém por acidente. Muito menos atira no olho de alguém por acidente em duas ocasiões seguidas.

Esse é o temor dos militares quando passaram a mão na cabeça de Pazuello. Em algum momento, eles temem que essa fogueira acesa atinja grandes proporções, como aconteceu na invasão do Capitólio nos Estados Unidos após a derrota de Donald Trump. Se alguém invadir aqui o Congresso, de que lado estará a PM? De que lado estarão os soldados de baixa patente? Poderá ser essa a hora de os generais intervirem.

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Coluna Informação #080 – O Exército de Bolsonaro é outro
JBr News
JBr News #187 – Siga o dinheiro…
JBr Saúde

A pandemia da covid-19 tornou ainda mais imprescindíveis dois tipos de profissionais de saúde: os que atuam na emergência, no pronto-atendimento dos pacientes, e os que atuam nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), os intensivistas. O novo quadro pressionou a formação desses profissionais, e até acelerou essa formação. Antes, os intensivistas faziam um curso de quatro anos além da formação de medicina, que é de seis anos. Esse tempo diminuiu para três anos de formação mais intensa a cada ano. É o que conta a médica Martha Rocha, diretora da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS), da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), na edição desta semana do JBrSaúde. O programa, em parceria com o Imagem&Credibilidade, vai ao ar todas as quintas-feiras, com apresentação de Estevão Damázio.

“Sem dúvida, na história da medicina moderna, não passamos por um desafio tão grande quando a pandemia da covid-19”, afirma Martha Rocha. A terapia intensiva, diz a diretora, é dividida em três segmentos. Há a UTI pré-natal, que abriga os bebês recém-nascidos até os 28 primeiros dias de vida. A UTI pediátrica, com crianças a partir do primeiro mês de vida. E a UTI para adultos. Cada um delas contêm diversas especificidades. E a covid-19 trouxe ainda mais especificidades. Os cuidados que requerem seus pacientes são bem diferentes, por exemplo, dos pacientes que entram numa UTI após traumas, como acidentes de trânsito. E há ainda um outro componente desafiador: os quadros ocasionados pela covid são muito diversos, e variam muito de paciente para paciente.

“Não são profissionais que se formam rapidamente”, explica a diretora. O curso de Medicina já tem uma duração de seis anos. Depois, para ser intensivista, o médico precisa de três anos de formação direta. Ele, depois da graduação, precisa fazer uma prova específica, ser aprovado e, então, fazer a nova formação. No caso da ESCS, essa formação específica é feita no Hospital de Base. Com uma carga horária puxada, de 60 horas semanais. “A pandemia acelerou essa formação, que antes era de quatro anos”, diz ela.

Outra demanda que se tornou maior é por emergencistas. Profissional focado em atendimento de emergência. Hoje, a ESCS tem sete vagas anuais para emergencistas. Ao todo, há na escola hoje 21 residentes cursando como emergencistas.

E, na chamada terapia intensiva, reforça Martha Rocha, não há apenas o médico. Existe uma equipe multiprofissional, que engloba várias áreas de trabalhadores da saúde, como enfermeiros, profissionais de terapia ocupacional, psicologia, nutrição, fisioterapia. “São primordiais”, reforça Martha Rocha. “Não adianta uma equipe médica bem formada sem uma boa equipe de assistência”.

Oficinas de más notícias

Martha Rocha observa que a pandemia da covid-19 tem criado novos paradigmas na formação dos alunos na escola. Por um lado, tem aumentado a procura dos estudantes pela formação nessas áreas de atendimento mais voltadas à emergência e ao tratamento intensivo. E também reforçado o enfrentamento de certos desafios no ambiente hospital, que ajudam a humanizá-lo. Diante do quadro atual de situações graves e trágicas, os profissionais têm sido mais treinados em como lidar com isso.

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Segundo Martha Rocha, a ESCS tem feito mais o que ela chama de “Oficinas de Más Notícias”. Como preparar o profissional a lidar com a tensão da situação, com a expectativa ansiosa das famílias, e com a própria necessidade que haverá, de ter de comunicar um quadro mais grave ou mesmo, infelizmente, a morte de um ente querido. Ela conta que, inclusive, foi criado um protocolo padrão para dar más notícias.

É algo, diz ela, que não é simples somente para os parentes que receberão a notícia. É tenso também para o profissional que lida com o caso. Que teve suas expectativas frustradas. Que poderá sentir uma sensação de fracasso pessoal e profissional. “Cerca de 30% dos profissionais de saúde estão hoje em sofrimento mental”, diz ela. Consequências da intensidade do tratamento da pandemia.

“Creio que a pandemia veio para mudar”, analisa ela. “Cada vez mais, a humanização e a espiritualidade entrarão mais no foco. Além do maior uso da telemedicina, das aulas remotas. Hoje, já temos profissionais de outros países muitas veze nos orientando em um procedimento. São lições da covid-19”.

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JBr Saúde #014 – Pandemia pressiona por formação de intensivistas